terça-feira, 5 de junho de 2012

Cursos em Israel com Bolsas de Estudo.


Novos cursos com inscrições
abertas em Israel

 

A Embaixada de Israel em colaboração com o Centro de Cooperação Internacional do Ministério das Relações Exteriores (MASHAV) abre inscrição para diversos cursos em Israel com bolsas de estudos. O programa israelense de desenvolvimento da cooperação internacional vem organizando cursos em diferentes disciplinas em seus centos de formação no país.

Para os candidatos selecionados será oferecida uma bolsa de estudos que inclui pensão completa, hospedagem em quarto duplo, assistência e seguro médico durante o período do curso. A passagem aérea não está incluída e as despesas pessoais são por conta do estudante.

Para inscrever-se em algum curso o candidato deve enviar para o e-mail dcm-sec@brasilia.mfa.gov.il a seguinte documentação digitalizada com no máximo 5MB:

• Formulário em inglês ou espanhol (de acordo com o idioma do curso) preenchido e assinado;
• Última página do formulário (certificado médico) preenchida e assinada por um médico;
• Cópia do passaporte da página com foto e número;
• Comprovante de proficiência no idioma do curso;
• Duas cartas de recomendação;
• Diplomas de graduação e, se possuir, pós-graduação, mestrado e/ou doutorado.

Os interessados em obter o prospecto do curso com informações detalhadas ou para obter mais informações devem enviar um e-mail para dcm-sec@brasilia.mfa.gov.il ou acessar o site http://embassies.gov.il/brasilia/mashav/Pages/MainProject.aspx.


CONFIRA OS CURSOS OFERECIDOS:

"Implementación de una educación hacia el Desarrollo Sostenible en las escuelas de comunidades indígenas en Centroamérica y Suramérica" - Curso em espanhol que acontece de 15 de outubro a 8 de novembro de 2012. Inscrições abertas até 22 de agosto de 2012.



"Curso internacional sobre: 'Competitividad local y regional'" - Curso em espanhol que acontece de 15 de outubro a 8 de novembro de 2012. Inscrições abertas até 22 de agosto de 2012.

"Juventud en Riesgo: Prevención de la Deserción Estudiantil y Facilitación de la Reintegración" - Curso em espanhol que acontece de 26 de novembro a 20 de dezembro de 2012. Inscrições abertas até 30 de agosto de 2012.

"Professional Development for In-Service Teachers" - Curso em inglês que acontece de 15 de outubro a 8 de novembro de 2012. Inscrições abertas até 8 de setembro de 2012.

"Combating Desertification - Grazing Management & Soil Conservation" - Curso em inglês que acontece de 5 a 21 de novembro de 2012. Inscrições abertas até 20 de setembro de 2012.

"La Educación Para la Ciencia y la Tecnología Y ICT en la Educación" - Curso em espanhol que acontece de 19 de novembro a 13 de dezembro de 2012. Inscrições abertas até 30 de setembro de 2012.

FORMULÁRIOS:

1) O formulário para cursos ou seminários que serão ministrados em inglês pode ser obtido clicando no link: http://embassies.gov.il/brasilia/mashav/Documents/ENGLISH%20Application%20Form.pdf

2) O formulário para cursos ou seminários que serão ministrados em espanhol pode ser obtido clicando no link: http://embassies.gov.il/brasilia/mashav/Documents/SPANISH%20Application%20Form.pdf

domingo, 3 de junho de 2012

Artigo do Guardian.


A corrupção acadêmica e a crise financeira

CHARLES FERGUSON
DO "GUARDIAN"
 
Muitas pessoas que viram meu documentário "Trabalho Interno" (2010) acharam que a parte mais perturbadora é a revelação sobre amplos conflitos de interesses em universidades e institutos de estudos e entre pesquisadores acadêmicos. Espectadores que assistiram às minhas entrevistas com eminentes professores universitários ficaram estarrecidos com o que saiu da boca deles.
 
Mas não deveríamos ter ficado surpresos. Nas duas últimas décadas, médicos já comprovaram de modo substancial a influência que o dinheiro pode exercer num campo supostamente objetivo e científico. De modo geral, as escolas de medicina e os periódicos médicos vêm reagindo bem, aderindo às exigências de transparência.
 
Os cursos de pós-graduação em economia, as faculdades de administração, as de direito e as de ciência política vêm reagindo de modo muito diferente. Nos últimos 30 anos, parcelas importantes do mundo acadêmico americano foram deterioradas, convertendo-se em atividades do tipo "pay to play" (pague para participar).
 
Hoje em dia, se você vir um célebre professor de economia depondo no Congresso ou escrevendo um artigo, são boas as chances de ele ou ela ter sido pago por alguém com grande interesse no que está em debate. Na maior parte das vezes esses professores não revelam esses conflitos de interesse. Além disso, na maior parte do tempo suas universidades se fazem de desentendidas.
 
Meia dúzia de firmas de consultoria, vários birôs de palestrantes e diversos grupos de lobby de setores diferentes mantêm grandes redes de acadêmicos de aluguel, com o objetivo de defender os interesses desses grupos em discussões sobre políticas e regulamentação. Os principais setores envolvidos são energia, telecomunicações, saúde, agronegócio e, sem dúvida, o setor de serviços financeiros.
 
Alguns exemplos: o economista Glenn Hubbard virou reitor da Columbia Business School em 2004, pouco depois de deixar o governo George W. Bush (2001-09), no qual trabalhou no Departamento do Tesouro e foi o primeiro presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente, entre 2001 e 2003.
 
Boa parte de seu trabalho acadêmico é dedicado à política fiscal. Num resumo justo de suas posições intelectuais, pode-se dizer que ele jamais viu um imposto que tenha gostado de ver aprovado e em vigor. Em novembro de 2004, ele escreveu um artigo espantoso em coautoria com William C. Dudley, então economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs.
 
O artigo em questão, "Como os Mercados de Capitais Elevam a Performance Econômica e Facilitam a Geração de Empregos", merece ser citado. Vale lembrar que estamos em novembro de 2004, com a bolha já bem encaminhada:
 
"Os mercados de capital têm ajudado a tornar o mercado imobiliário menos volátil. 'Arrochos de crédito' do tipo que, periodicamente, fecharam a oferta de recursos aos compradores da casa própria [...] são coisas do passado."
 
Hubbard se negou a dizer se foi pago ou não para escrever o artigo. E se negou a me fornecer sua declaração mais recente de conflitos de interesse financeiros com o governo, documento que não pudemos obter de outra forma porque a Casa Branca o destruiu.
 
Hubbard recebeu US$ 100 mil para depor na defesa criminal dos dois gerentes do fundo hedge (de alto risco) Bear Stearns, processados por envolvimento com a bolha; eles foram absolvidos. No ano passado, Hubbard se tornou assessor econômico sênior da campanha presidencial de Mitt Romney, o pré-candidato republicano à Presidência dos EUA.
 
RABO PRESO
Outro economista, Larry Summers, já ocupou quase todos os cargos governamentais importantes na área econômica. Secretário do Tesouro sob o presidente Bill Clinton (1993-2001), em 2009 ele se tornou diretor do Conselho Econômico Nacional na administração Barack Obama.
 
Embora seja sensato em relação a muitas questões, Summers cometeu uma sucessão bem documentada de erros e concessões. E seus pontos de vista sobre o setor financeiro dificilmente seriam distinguidos dos de, digamos, Lloyd Blankfein (chefe do Goldman Sachs) ou Jamie Dimon (presidente do banco JPMorgan).
 
A maior parte de nossas informações sobre Summers vem de sua declaração obrigatória de conflitos de interesse, exigida pelo governo. De acordo com a declaração dada em 2009 por Summers, sua fortuna líquida estava calculada entre US$ 17 milhões e US$ 39 milhões. Seus recebimentos totais no ano antes de ingressar no governo chegaram a quase US$ 8 milhões. O Goldman Sachs pagou a Summers US$ 135 mil por um discurso.
 
Larry Summers é um homem com o rabo preso, que deve a maior parte de sua fortuna e boa parte de seu sucesso político à indústria de serviços financeiros e que esteve envolvido em algumas das decisões de política econômica mais desastrosas da última metade de século. Na administração Obama, Summers se opôs à adoção de medidas fortes para punir banqueiros ou limitar a receita deles.
 
A universidade de Harvard ainda não exige que Larry Summers divulgue seus envolvimentos com o setor financeiro. Tanto Harvard quanto Summers negaram meus pedidos de informação.
O problema da corrupção acadêmica hoje está tão profundamente entrincheirado que essas disciplinas e essas universidades importantes estão gravemente comprometidas, e qualquer pessoa que pensasse em se opor à tendência ficaria racionalmente muito assustada.
 
COMEDIMENTO
Considere a seguinte situação: você é estudante de doutorado ou um membro júnior do corpo docente que estuda a possibilidade de fazer pesquisas sobre, digamos, as estruturas de pagamento aos profissionais que assumem riscos nos serviços financeiros, ou sobre o impacto potencial das exigências de divulgação pública de informações sobre o mercado de "credit default swaps" --instrumentos financeiros que funciona como um seguro contra calotes. O reitor de sua universidade é... Larry Summers. O chefe de seu departamento é... Glenn Hubbard.
 
Ou você está no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e quer estudar o declínio dos pagamentos de impostos de pessoas jurídicas. A reitora do MIT é Susan Hockfield, que faz parte do conselho de direção da General Electric, uma empresa que vem conseguindo evitar o pagamento de quase todos os impostos corporativos há vários anos. Até que ponto essas forças de fato afetam as pesquisas acadêmicas e as políticas das universidades? As evidências das quais dispomos sugerem que o efeito é grande.
 
Os comentários sobre a crise financeira proferidos por economistas na academia têm sido bastante comedidos. É verdade que existem algumas exceções notáveis. Na maior parte do tempo, porém, o silêncio tem sido ensurdecedor.
 
Como é possível que um setor inteiro seja estruturado de modo que funcionários sejam encorajados a saquear e destruir suas próprias firmas? Por que a desregulamentação e a teoria econômica fracassaram tão espetacularmente?
 
O lançamento do documentário "Trabalho Interno" claramente mexeu com sensibilidades que foram tocadas por essas questões. Fui contatado por estudantes e docentes em grande número, e houve debates em grande número.
 
Algumas escolas, incluindo a Columbia Business School, adotaram exigências de divulgação de informações pela primeira vez.
 
Mas a maioria das universidades ainda não faz essas exigências, e poucas ou nenhuma impõem qualquer limitação à existência de conflitos de interesse. O mesmo se aplica à maioria das publicações acadêmicas.
 
Repórteres de jornais são proibidos terminantemente de aceitar dinheiro de qualquer setor econômico ou organização sobre o qual escrevam matérias. O mesmo não acontece no mundo acadêmico.
 
Houve um avanço positivo importante. No início deste ano, a Associação Americana de Economia passou a exigir uma declaração de conflitos de interesse para os sete periódicos que edita.
Mas a maioria das instituições ainda se opõe à divulgação de mais informações, e, quando eu estava fazendo meu filme, se negou até mesmo a tratar do assunto.
 
Tradução de CLARA ALLAIN.
 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Texto de Colaborador.

Desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental

Lucicleide Ferreira de Lima

Por analisar o impacto do crescimento econômico na sociedade, este artigo pode parecer de cunho liberal, no entanto, a microeconomia é utilizada aqui para preconizar a regulação do Estado nas diversas atividades econômicas, sobretudo, nas questões de economia ambiental.
A economia ambiental é uma análise econômica sobre o meio-ambiente, que visa à aplicação dos princípios da economia ao estudo da administração dos recursos ambientais. Essa disciplina se expandiu nos anos de 1960, com a chamada Revolução Verde, entretanto, as questões ambientais já eram abordadas no século XVII por: Malthus (1798), Ricardo (1817) e Karl Marx (1867).
Importante saber que a ciência econômica é dividida em macroeconomia e microeconomia, que estuda os agregados econômicos; e os agentes econômicos individualmente, respectivamente. Entretanto, a microeconomia é mais aplicada na solução dos problemas ambientais.
Dentro das premissas da ciência econômica faz-se necessário distinguir o crescimento econômico e o desenvolvimento econômico, o primeiro está ligado ao aumento da capacidade produtiva econômica (produção de bens e serviços) que é mensurado pela variação do Produto Interno Bruto, e que em 1993, o Fundo Monetário Internacional (FMI) começou a utilizar uma medida baseada na paridade do poder de compra (PPP) (purschasing-power parity PPP), como uma forma de calcular agregados econômicos. A utilização da PPP passou a demonstrar o tamanho real das economias mundiais, como as da China e Índia, que são classificadas como as maiores produtoras de bens e serviços do mundo.
Conceituando o desenvolvimento econômico este é mensurado por duas variáveis, a saber: o produto nacional bruto e o tamanho da população, porém, ocorre que na maioria dos países em desenvolvimento o crescimento da renda nacional não significa que o nível de vida de uma determinada população melhorou, dessa forma se a economia cresce, mas a renda média diminui não há crescimento econômico, noutros países chega a ocorrer o aumento de produção bem menor que o crescimento da população, gerando dessa forma uma falha de mercado, ocasionando uma instabilidade econômica, que afeta o bem estar social da população.
Exemplificando, cita-se a China, que embora tenha alcançado a segunda economia do mundo, o seu crescimento econômico é insuficiente no sentido de implantar políticas de bem estar social nas áreas onde não foram alcançadas pelo desenvolvimento urbano e tecnológico, condicionando uma parcela de sua população a condições de vida precárias. Ao contrário do que acontece com as grandes economias do mundo, tais como as dos Estados Unidos e a do Japão, em que o seu crescimento econômico é investido na melhoria do bem estar social de sua população. Desta feita, conclui-se que o desenvolvimento econômico é uma fórmula que combina com crescimento econômico e distribuição de renda, e que os aumentos da renda per capita num determinado tempo é um dos indicadores que mede o grau desse desenvolvimento econômico. 
Mais ainda assim a renda per capita não é a medida adequada para mensurar o desenvolvimento econômico de um determinado país, pois, o desenvolvimento econômico inclui um conjunto de variáveis que estão relacionados com a melhoria da educação, da saúde, do bem estar social da sociedade, da melhoria da infra-estrutura de transportes, da presença de instituições legais, legítimas e democráticas, das quais interferem no processo de desenvolvimento e progresso de um país, estes são os chamados recursos artificiais, que são construídos pelo homem e que devem ser sustentados para as gerações futuras.
Por outro lado, têm-se os recursos naturais que estão relacionados ao crescimento econômico e ao meio ambiente, os quais  englobam os produtores e os consumidores. Os primeiros são as empresas que utilizam os insumos para transformá-los em produtos, sendo que esses insumos ou recursos naturais são as matérias primas na forma de combustíveis, de minerais, são as madeiras, os líquidos (água e petróleo). A segunda categoria que são os consumidores, ou seja, toda a população na qual esses bens e produtos são distribuídos.
Cabe lembrar que esses bens e produtos, ao contrário dos recursos artificiais, são limitados e esgotáveis, e como se não bastasse, a má administração do meio ambiente, os consumidores e produtores jogam esses resíduos no espaço ambiental, ocasionando tanto a degradação como a poluição do meio ambiente.
Segundo o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em recente entrevista, em abril de 2012, salientou: “o indicador econômico o Produto Interno Bruto (PIB) é insuficiente para medir o grau de desenvolvimento sustentável de um país, por não incorporar avaliações dos custos ambientais e sociais, e que, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, precisa trazer novos parâmetros do desenvolvimento econômico”.
De fato é preciso que a Rio+20 rompa novos paradigmas, e discuta o tema da economia verde com a relevância que a mesma requer, é perceptível que o sistema de desenvolvimento sustentável está extremamente relacionado aos sistemas de relações econômicas (crescimento e desenvolvimento econômico), as relações políticas (Estado Democrático de Direito e as instituições legítimas) e também ao sistema de relações biológicas (sustentabilidade do meio ambiente). Quando ocorre uma desvalorização do sistema biológico, ou seja, do capital natural, tem-se uma sustentabilidade fraca, e consequentemente a não aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável, no qual é o de transferir para as gerações futuras um estoque agregado de capital natural maior do que existe no momento.
Uma vicissitude para equilibrar aqueles três sistemas é entender que para um ser sustentado não é preciso excluir o outro, o que ocorre atualmente é uma sustentabilidade fraca, qual seja: a te transferir menos meio ambiente para as gerações futuras, desde que este seja compensado pelos recursos artificiais, tais como as estradas, educação, construções de indústrias, ou o inverso, ter menos estradas e industrias e compensar na preservação das florestas.
A proposta para a economia ambiental é a sustentabilidade forte, ou seja, o equilíbrio entre os sistemas: crescimento econômico, relações políticas e biológicas, interpretando que um não rejeita o outro, e que alguns elementos do estoque de capital natural não pode ser substituído por recursos artificiais, pois, são essenciais para a sobrevivência do ser humano e que devem ser protegidos.
Uma alternativa para a realização de uma sustentabilidade forte seria o Estado se opor a nomocracia estática, defendida pelo liberalismo, e legitimado a sua soberania regular eficientemente a economia ambiental.
É sabido que apesar dos mercados e seus defensores proclamarem os benefícios da ideologia liberal no início do século XXI, aquele modelo de “sistema econômico” tem se demonstrado ineficiente, concentrador de capital e de fatores de produção. Essa “mão invisível”, segundo Adam Smith, que deveria se encarregar do “ótimo social e econômico”, não opera de forma perfeita, pois, os mercados falham constantemente. Seria necessário tempo, crescimento e desenvolvimento econômico, aliado com sustentabilidade para que possa ter um “Estado Mínimo” na regulação da economia ambiental.

Bibliografia:
MAY, P.; LUSTOSA, M.C.; VINHA, V. de. (org.), Economia do meio ambiente: teoria e prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
PECI, Alketa, Regulação no Brasil, São Paulo, Atlas, 2007.
PINDYCK, Robert S, Microeconomia, 6ª edição, São Paulo, 2005.