terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Folha de São Paulo - Primeiro dia de votação de referendo deixa pelo menos 9 mortos no Egito

Por Diogo Bercito

Os egípcios foram nesta terça-feira às urnas no primeiro dia de votação para seu referendo constitucional.
O pleito, com forte significado político, será encerrado hoje, com a expectativa de culminar com um "sim", o que daria mais legitimidade ao regime militar vigente.
O referendo foi realizado sob o temor de violência no país, com a proteção de 200 mil policiais. Antes da abertura das urnas, houve uma explosão próxima ao Cairo, sem relatos de feridos.
Forças de Segurança fazem revista fora de um colégio eleitoral em Alexandria, no norte do Egito
Durante o dia, ao menos nove pessoas foram mortas em confrontos envolvendo islamitas e as forças de segurança do governo.
O voto à nova Constituição do país servirá de termômetro à aceitação popular em relação ao golpe militar que depôs o presidente Mohammed Mursi, em julho do ano passado, e instituiu o governo interino de Adly Mansur, apoiado pelo Exército.
Desde a deposição de Mursi, ligado à Irmandade Muçulmana, o país tem vivido meses convulsivos de violência e crise social.
A liderança islamita foi perseguida e detida, e seus simpatizantes, mortos em massacres como o da mesquita Rabia al-Adawiya, ocorrido em agosto. A Irmandade Muçulmana anunciou o boicote ao referendo.
Essa é a primeira ida da população egípcia às urnas desde a deposição de Mursi –retirado da Presidência após manifestações populares contra seu mandato, considerado demasiado conservador e também ineficaz.
Entre as exigências dos manifestantes estava a suspensão da Constituição rascunhada em 2012, sob influência islamita, e a elaboração de uma nova Carta. É esse passo que será testado, durante esta semana.
Expatriados já votaram no referendo, entre 8 e 12 de janeiro, com 103 mil votos ao redor do mundo, de acordo com o governo interino.

TEMPORÁRIO

Com o referendo, o Egito deve dar continuidade à transição democrática, anunciando suas eleições parlamentares e presidenciais. Mas será preciso, antes disso, agradar aos diversos setores sociais nesse país.
Parte deles não está satisfeita com a nova Constituição, que exige anuência do Exército para a nomeação do ministro da Defesa, por dois mandatos presidenciais, além de permitir que haja julgamentos de civis em tribunais militares.
Críticos do governo de transição afirmam que o novo texto tem como objetivo fortalecer o chefe das Forças Armadas, general Abdel-Fatah al-Sisi, visto como líder por trás do golpe de Estado, e instituir um regime semelhante ao do ex-ditador Hosni Mubarak, deposto em 2011 no início da chamada Primavera Árabe.
É esperado que Sisi vá anunciar nos próximos dias sua candidatura à Presidência do Egito.
Apesar da expectativa de que a nova Constituição seja aprovada por voto, analistas apontam que será fundamental haver uma grande participação popular nas urnas, para garantir legitimidade ao processo democrático.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Valor Econômico - Após dez anos, Bolsa Família tem desafio de melhorar ensino

 Por Luciano Máximo 
 
Silvia Costanti/Valor / Silvia Costanti/Valor 
Maria Aparecida da Silva, beneficiária do Bolsa Família em Mairiporã (SP), acompanha os estudos da filha Fernanda

Ribeirão do Largo, no sul da Bahia, e Algodão de Jandaíra, no agreste da Paraíba, são cidades pobres do interior nordestino. Além disso, têm em comum o fato de a cobertura do Bolsa Família ser superior a 75% de suas respectivas populações (a média nacional é 25%). Também são considerados municípios prioritários pelo Ministério da Educação (MEC) por estarem abaixo da média nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), hoje o principal instrumento para medir a qualidade do ensino no país.
Embora quase todos os filhos e filhas dos beneficiários do programa federal de transferência de renda frequentem escola pública, a trajetória de alguns indicadores educacionais que determinam avanço ou retrocesso no ensino nas duas cidades é bem diferente.
Em Algodão de Jandaíra, onde 78% dos quase 2,5 mil habitantes recebem, na média familiar, pouco menos de R$ 150 do Bolsa Família, a nota das escolas públicas no Ideb cresceu nos dois ciclos do ensino fundamental entre 2005 e 2011; a taxa de alunos em séries inadequadas conforme a idade caiu dramaticamente entre 2006 e 2010 (de 62,6% para 10,2%); e o índice de reprovação, que era de 25,9% em 2007, foi reduzido para 11,6% em 2012.
Já em Ribeirão do Largo, o Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental não subiu o suficiente para cumprir a meta estabelecida pelo MEC; nas séries finais, a nota caiu de 2,5 para 2,4 entre 2005 e 2011, também aquém da meta de 3. No indicador de distorção idade-série, houve tímida melhora em cinco anos, com redução da taxa de 61,3% para 56,8%, enquanto o índice de reprovação registrou queda mais forte, de 25,9% para 11,6%. Na cidade baiana, 83% dos 8,6 mil habitantes ganham, na média familiar, R$ 132 do programa federal de transferência de renda.
A partir de uma lista de 2.050 municípios prioritários do MEC, a reportagem do Valor levantou outras 24 cidades, uma por Estado, com a maior proporção de beneficiários do Bolsa Família em relação ao total de habitantes e estendeu a análise feita para Algodão de Jandaíra (PB) e Ribeirão do Largo (BA). À primeira vista, a impressão é de melhora generalizada nos indicadores de reprovação e distorção idade-série, mas há pelo menos dez cidades que pioraram nessas duas variáveis e muitas registraram avanços em ritmo bem mais lento que outras, como no exemplo anterior.
Já a avaliação do desempenho das escolas públicas desses municípios no Ideb dos anos finais do ensino fundamental acende uma luz amarela: pelo menos quatro cidades pioraram de nota entre 2005 e 2011 e dez não bateram a meta do indicador. Na média nacional, colégios municipais e estaduais batem a meta do Ideb tanto nos anos iniciais como nos anos finais do fundamental.
Desde o seu lançamento em 2003, o Bolsa Família se consolidou como uma das principais políticas governamentais do Brasil no combate à pobreza e na promoção de ações para superá-la. Graças à condicionalidade na área educacional, que obriga pais e mães a matricular seus filhos na escola e a garantir a frequência de até 85% das aulas, o programa também apresenta resultados positivos em inclusão e permanência na escola.


A melhora no acesso escolar, no controle de faltas e na redução da taxa de abandono por influência do programa é evidente. Mas nesses dez anos de existência, o governo ainda não tem ferramentas suficientes para responder à pergunta essencial: "A qualidade do ensino dos mais de 17 milhões de alunos da rede pública, que hoje são beneficiários do Bolsa Família em todo o Brasil - mais de 40% do total de estudantes -, está melhorando?"
De forma genérica, o governo responde que sim ao promover, na publicidade oficial, muitas histórias de crianças que, ajudadas pelo programa, hoje estão chegando à universidade, mudando uma trajetória familiar historicamente marcada pela baixa escolarização e, em muitos casos, pelo analfabetismo.
O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), que administra o Bolsa Família em parceria com outros ministérios, governos estaduais e prefeituras, apresenta dados concretos: no ensino médio público, a taxa de abandono escolar dos alunos atendidos pela política federal de transferência de renda é de 7%, contra 11% da média nacional; no ciclo fundamental, a mesma comparação apresenta taxa de 2,9% para alunos do Bolsa Família, um pouco abaixo da taxa média nacional da rede pública (3,2%). No quesito aprovação, os jovens do ensino médio beneficiados pelo programa também têm melhor desempenho na comparação com a média brasileira da rede pública.
Embora o governo comemore, os números, sozinhos, não evidenciam real melhora na qualidade do ensino em função do Bolsa Família, como visto no exercício comparativo entre as duas pequenas cidades na Bahia e na Paraíba. A resposta para a equação é complexa e polêmica. Alguns especialistas acreditam que o impacto do programa de transferência de renda na qualidade da educação é baixo. Há quem sustente que apenas o estímulo para a criança entrar na escola na idade certa e permanecer até o fim da educação básica traz muita vantagem ao ensino.
O secretário-adjunto de Educação do Ceará, Mauricio Holanda Maia, afirma que não é papel do Bolsa Família melhorar o ensino. "Ele dá conta de aumentar o ingresso e a permanência dos meninos e faz isso bem. Mas o programa tem um escopo e não deve-se pedir ao Bolsa Família mais que o seu escopo, para que ele não seja qualificado ou desqualificado em virtude de resultados que realisticamente não dependem dele", opina Maia.
Já Rui Aguiar, especialista em projetos para o Nordeste do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), considera plausível vincular a frequência escolar impulsionada pelo Bolsa Família a melhorias no ensino. "Uma das grandes dificuldades da gestão escolar brasileira ainda é o controle de frequência. Raras escolas respeitam os 200 dias letivos. As crianças que são beneficiadas pelo Bolsa Família, de alguma maneira, passam mais tempo na escola; isso aumenta a probabilidade de vantagens na aprendizagem", avalia Aguiar.
O governo é cauteloso na abordagem da questão e teme comparações simplistas entre o desempenho da educação recebida por estudantes não beneficiários e beneficiários do Bolsa Família. Para Daniel Ximenes, diretor do Departamento de Condicionalidades da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania do MDS, é arriscado fazer estudos "aligeirados", que fomentem a criação de rankings. "Não dá para ranquear essas escolas de maneira unilateral. Temos que ter cuidado nas interpretações, tem que ter um compromisso muito técnico e ético. Não é um trabalho rápido e fácil", afirma.
Segundo ele, o MDS se aprofundará na produção de avaliações sobre o impacto do Bolsa Família na qualidade do ensino ao longo do primeiro semestre de 2014. Esse tipo de estudo será feito, principalmente, a partir de informações, já em poder do governo, sobre as 75 mil escolas públicas do país - de um universo de 200 mil - onde a maioria dos alunos é composta por beneficiários do programa de transferência de renda.
Ximenes insiste que avaliações dessa natureza só são boas quando feitas de forma contextualizada. "É preciso analisar e comparar a infraestrutura das escolas, o perfil socioeconômico das famílias, dos professores, sua formação. Tem que analisar a partir de variáveis semelhantes para não deixar a interpretação unidirecional."
Em pesquisa acadêmica recente feita pela professora Maria Inês Caetano Ferreira e por alunas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) foi constatado que em uma escola pública de Cruz das Almas, no interior baiano, o Bolsa Família não teve influência nos rumos do ensino. As pesquisadoras analisaram anotações dos professores nos diários de classe durante o ano letivo de 2011 e compararam alunos beneficiários e não beneficiários.
De acordo com o estudo, a taxa de aprovação de ambos os grupos foi semelhante, assim como os principais comentários nos diários. "Maioria aprovada por conselho de classe e outros após recuperação", dizia anotação geral sobre alunos regulares e do Bolsa Família aprovados na quarta série do ensino fundamental. "Nesse caso estamos diante de uma aprovação frágil, que tem impacto negativo no aprendizado, não importa se o aluno tem um programa social por trás, não há diferenciação. No fundo, o problema é de qualidade da educação: cabe aos governos estaduais e municipais resolver", avalia Maria Inês.
Em Mairiporã, município prioritário do MEC localizado na região metropolitana de São Paulo, a estratégia para melhorar o desempenho de alunos do Bolsa Família é a aproximação, via Secretaria Municipal de Assistência Social, com as famílias do programa. "Na escola não tem distinção, mas pelo menos a cada 15 dias, ou até semanalmente, nós nos reunimos com pais e mães cadastrados no programa para falar sobre a importância da frequência escolar e do acompanhamento das notas e das atividades dos filhos na escola", conta Maria Lucia Naf, secretaria de Assistência Social de Mairiporã, que tem mais de 13,2 mil beneficiários do Bolsa Família.
Moradora da cidade, a faxineira Maria Aparecida da Silva, de 39 anos, segue as orientações à risca e, além de acompanhar a rotina dos dois filhos na escola, voltou a estudar. Matriculou-se num programa de educação de jovens e adultos. Enquanto a filha cursa a sexta série e o filho está no terceiro ano do ensino médio, ela faz o supletivo e sonha em fazer um curso técnico e trabalhar como paisagista de jardins.
"Sempre pego no pé dos dois. Mesmo do mais velho, não é porque é marmanjo que tem que largar mão. Acho que comigo participando mais da vida deles na escola, eles vão entender que eu estou apoiando e vão se dedicar mais, dar mais valor para essa chance, que eu não tive na idade deles", diz Maria Aparecida, que normalmente usa os R$ 146 que recebe do Bolsa Família para comprar material escolar e cobrir despesas da casa.
Além da condicionalidade para estimular inclusão e a permanência na escola, o Bolsa Família, nos últimos anos, passou a ter articulação mais forte com políticas educacionais que podem ser determinantes para um bom aprendizado. Na educação infantil, o governo lançou, em 2011, o Brasil Carinhoso, que amplia a renda do programa para mães com crianças de zero a seis anos, e lançou a meta de construção de 6 mil creches dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). No ensino fundamental, milhares de escolas com maioria de estudantes beneficiários passaram a fazer parte do Mais Educação, iniciativa do MEC de ensino em tempo integral.
"Nesses dez anos, o Bolsa Família acabou tendo uma dimensão bastante significativa, às vezes maior do que ela deve ser. Virou uma grande plataforma para várias políticas públicas, e aí quando a gente entra na educação acaba tendo uma expectativa bastante elevada, mas o Bolsa não pode resolver todos os problemas de todas as áreas, é um programa que tem seus objetivos, suas características", afirma Ximenes, do Ministério do Desenvolvimento Social.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Foreign Affairs - The Sharon Doctrine

The Mixed Legacy of an Israeli Unilateralist

Ariel Sharon in Israel in 2006 (Courtesy Reuters)
 
For most Arabs, no Israeli in history is more synonymous with violence and Israeli expansionism than Ariel Sharon. His name quickly conjures the worst massacres, deepest pro-settlement fanaticism, and most extreme nationalistic provocations in the Palestinian bill of particulars against Israel. Less readily appreciated by most Arabs is the complexity of Sharon's legacy and the important lessons, both positive and negative, his final policies suggest for peace.
For most of his life, Sharon was the epitome of what has been called "gun Zionism": the notion that Jewish Israelis have a kill-or-be-killed relationship with the Arabs, and above all the Palestinians, surrounding them. He spent most of his professional life armed, first as a teenager in the Jewish underground under the British mandate in 1942, and then as a Haganah fighter in the so-called "Battle for Jerusalem" in the fall of 1948. Sharon quickly earned a reputation as a maverick best suited for missions that required ruthlessness -- before long, he was placed in charge of Israel's early "special operations" Unit 101.
This group eventually specialized in tit-for-tat raids with Palestinian guerrilla groups, which often resulted in civilian deaths on both sides. The most notorious of these was the Qibya massacre in 1953 when troops under Sharon's command attacked a West Bank village and killed 69 Palestinians, two thirds of whom were women and children. Sharon later wrote that he had believed that the civilians had already fled the village when their homes were destroyed, although contemporaneous documents cast doubt on that account. Sharon told his troops the purpose of the attack was "maximal killing and damage to property," and reports from both the Israeli military and UN observers are consistent with a deliberate effort to kill civilians as opposed to Sharon's version.
In Israel's conventional wars with Arab armies, Sharon was generally regarded as an effective, but unpredictable and undisciplined, commander. But the Israeli public was quick to lionize his performance in the 1973 war, during which he was credited with creative maneuvers that defeated Egypt's Second and Third Armies on the crucial southern front. National fame led to a political career, and in 1981, Sharon became Israeli Minister of Defense.
That made Sharon Israel's de facto commander-in-chief during the country's invasion of Lebanon. In September 1982, Sharon's forces facilitated and, in effect, permitted a large massacre of Palestinian civilians by Lebanese Christian militias at the Sabra and Shatila refugee camps under Israeli control. Although Lebanese carried out the actual killings, the Israeli government in general, and Sharon in particular, are almost universally considered by to be responsible. As Israel's defense minister at the time, the troops controlling the camps were under his direct command. Israel's own Kahan Commission of official inquiry into the massacre held the Israeli military "indirectly responsible" for the massacre and found that Sharon "bears personal responsibility" for not anticipating the entirely predictable killing or taking any measures to stop it. The Commission recommended his removal from office. 
The bodies piled up in Sabra and Shatila irrevocably defined Sharon's reputation for Arabs and many others. For almost two decades, his political career languished on the margins. But, as memories faded, he clawed his way back into favor, cultivating a growing constituency on the ultra-nationalist right during the first premiership of Benjamin Netanyahu. Succeeding Netanyahu as head of the Likud party, Sharon proved that he had maintained his talent for provocation. In September 2000, Sharon, accompanied by large numbers of police officers and some Israeli extremists, marched through the Haram Al-Sharif complex, also known as the Temple Mount, and declared that the holy Muslim sites there would remain under permanent Israeli control.
In most Palestinian and Arab narratives, this is considered the beginning of the second intifada. Standard Israeli narratives, by contrast, hold that Palestinian President Yasser Arafat launched it through deliberate Palestinian violence after the failure of the Camp David summit in the previous summer. Both versions are contradicted by the definitive Mitchell Commission Report, which cites instead Israeli border police use of live fire against Palestinians at same holy site a few days after Sharon’s visit. But if Sharon was trying to provoke an incident, as the Mitchell Report strongly implies, he certainly succeeded.
The subsequent explosion of the Second Intifada propelled Sharon, at long last, into the premiership, in February 2001. His attitude towards the conflict was tough by Israeli standards (and even by Sharon's own standards) and ensured that many more Palestinian civilians perished than Israelis. Yet as he was confronting, perhaps for the first time in his career, a conflict that clearly had no military solution, he endorsed, with some reservations, the U.S.-led Roadmap for Peace in 2003. And, in 2004, Sharon explicitly acknowledged the need for a Palestinian state. He even started referring forthrightly to the Israeli "occupation" of Palestinian lands, something most Israeli right-wingers rarely admit.
Sharon was shifting. But why? In general, Israeli leaders who have gone from being pro-occupation to supportive of Palestinian statehood have been impelled by the same factor: demographics. Sharon was no more able to answer what Israel was to do with 4.5 million occupied Palestinians -- men and women whom it could neither incorporate nor peacefully dominate -- than his predecessors. The only viable conflict-ending solution was a Palestinian state.
Sharon was not the Israeli leader who would make a final peace agreement with the Palestinians. But he did take a major step, the implications of which Palestinians and Israelis alike cannot underestimate: he evacuated settlements in both Gaza and the northern West Bank. Sharon did not do this in the interests of peace. He did it as an Israeli national imperative, and a way to resolve a strategic liability. Sharon's action is sometimes erroneously described as a "withdrawal" from Gaza, but Sharon more accurately termed it a "unilateral redeployment." In other words, Sharon's shift was not one towards an agreement with the Palestinians, but rather towards increased Israeli unilateralism. His action was entirely pursuant to Israeli interests and conducted without any agreement on the Palestinian side.
In his unexpected action, Sharon faced and overcame substantial resistance from the settlement movement in Israel. By explaining why the evacuation was a strategic and military necessity, he ultimately mobilized the support of a large Israeli majority. Indeed, the experience led him to leave the Likud and form a new center-right party, Kadima, shortly before the stroke that incapacitated him. Several Israeli journalists have suggested that Sharon was anticipating repeating a larger withdrawal in the West Bank should he become Kadima’s first prime minister.
There are two crucial lessons to be drawn from Sharon's last major action and final legacy, one positive, the other negative. On the positive side, Sharon demonstrated that settlements can, in fact, be evacuated. Because of his actions, it is no longer even possible to ask whether the Israeli government is capable of dismantling settlements. The questions are simply when and where they will choose to do so. And that means that none of the existing settlements and other demographic, infrastructural, topographic, or administrative changes Israel enforces in the occupied territories should be regarded as irreversible. The implications of this for the prospects of a two-state solution are profound.
On the negative side, Sharon yet again demonstrated that unilateralism between Israel and the Palestinians is a dead-end that only produces more conflict. Unilateral acts do not leave a party on the other side that has entered into a mutual agreement for its own reasons and therefore has a stake in making things work. It would have been wiser for Palestinians to have responded to the Gaza redeployment differently -- in the event, they allowed Gaza to fall into the hands of Hamas rather than reflecting a well-functioning and properly-governed society. But Israel did not give them any clear incentive to see the action as an opportunity for progress. Exactly the same can be said of Israel's withdrawal from Lebanon in 2000, which was as unilateral as its various invasions of that country had been.
Israelis should consider this when they complain that their “withdrawals” from Lebanon and Gaza were "rewarded" with rocketfire from Hezbollah and Hamas. To conclude that Arabs are recalcitrant or that agreements with them are impossible is to badly misread the reality of such policies. What unilateralism produces is a change in the context of conflict, not an end to it. The same would almost certainly apply to any Israeli unilateral action, as reportedly contemplated by Sharon, in the West Bank.
One need only contrast the track record of unilateralism with that of mutual agreements between Israel and its Arab neighbors. The peace treaty with Jordan is rock solid, and that with Egypt has survived the transitions from Anwar Sadat to Hosni Mubarak to military rule to Mohamed Morsi and now the new, interim Egyptian government, entirely unscathed. Even the armistice with Syria has been largely satisfactory from the Israeli point of view. 
The real legacy of Israel's most famous and notorious practitioner of "gun Zionism" was to simultaneously demonstrate that the government of the State of Israel is, despite all its doubts, capable of overriding the settler movement in the greater national interest, but also that if it does so unilaterally, it will be a dead-end. Whether Sharon himself would have come to see this by now, or would have clung to a vision of unilateralism -- as so many on the Israeli right are increasingly coming to embrace -- we cannot know. But, even if he never got the chance to draw the right conclusions from the unsatisfactory consequences of his final policies, the rest of us can, and must, act on their implications

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Terra - Egito: julgamento de Mursi é adiado para 1º de fevereiro

Helicóptero carregando Mursi se aproxima de corte no Egito Foto: AFP
Helicóptero carregando Mursi se aproxima de corte no Egito 

O tribunal onde o presidente deposto do Egito Mohamed Mursi está sendo julgado adiou para 1º de fevereiro a segunda audiência do caso devido ao não comparecimento do ex-líder, informaram meios de comunicações estatais.

Mursi é acusado de instigar o assassinato de manifestantes. O presidente deposto não pode ser levado da prisão de Burg al Arab, em Alexandria, para a Academia de Polícia, nos arredores do Cairo, devido ao mau tempo, o que impediu a decolagem do helicóptero no qual seria transportado.

Além de Mursi, serão julgados outros quatorze dirigentes da Irmandade Muçulmana, entre os quais se destacam o vice-presidente do Partido Liberdade e Justiça (PLJ) -braço político da Irmandade-, Esam el Arian, e um dos membro de seu Executivo, Mohammed Beltagui.

O restante dos acusados chegaram em veículos blindados à Academia de Polícia, nos arredores da capital, vindos da prisão cairota de Tora, e esperaram no interior do local até que foi anunciado o adiamento da audiência.

Todos eles são acusados por suposto envolvimento na morte de manifestantes e nos incidentes ocorridos nos arredores do palácio presidencial de Itihadiya em 5 de dezembro de 2012.

O Ministério do Interior iniciou um plano de segurança que inclui o desdobramento de milhares de policiais em torno ao local do julgamento, onde também estão sendo realizados a audiências do caso do ex-presidente Hosni Mubarak, e em todas as estradas de acesso.

Apesar disso, centenas de manifestantes saíram às ruas em diferentes cidades do Egito, onde estão sendo registrados incidentes e enfrentamentos com a polícia.

No bairro de Cidade Nasser, no Cairo, os simpatizantes de Mursi incendiaram um veículo policial, segundo fontes de segurança, depois que agentes antidistúrbios os impediram de seguir para uma marcha que iria para a Academia de Polícia.

Em Asiut, um policial ficou ferido e onze estudantes foram detidos após enfrentamentos na sede da universidade de Al-Azhar, segundo a televisão estatal.

Não se trata do único caso pelo qual está sendo julgado Mursi, que deverá responder também perante a justiça por revelar informação secreta para países e organizações estrangeiras, como o Hamas, e por fugir de prisão durante a revolução de janeiro de 2011.

Por este último caso, o ex-presidente egípcio será julgado, junto a outras 130 pessoas, em 28 de janeiro no Tribunal Penal do Cairo.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

BBC Brasil - 'Geração do diploma' lota faculdades, mas decepciona empresários

Nunca tantos brasileiros chegaram às salas de aula das universidades, fizeram pós-graduação ou MBAs. Mas, ao mesmo tempo, não só as empresas reclamam da oferta e qualidade da mão-de-obra no país como os índices de produtividade do trabalhador custam a aumentar.


Por Ruth Costas


Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.

"Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)", diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de "geração do diploma" é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.

"Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria", diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.

Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.

"Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas", diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. "Surpreendentemente, terminanos com vagas em aberto."

Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.

É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.


Linha de montagem da Ford (Foto BBC)
Produtividade da industria aumentou apenas 1,1% na última década, segundo a CNI


Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.

"Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem", explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.

 

Causas



Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a "geração do diploma".

A principal delas estaria relacionada a qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.

Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.

"Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim", diz Pastore.

Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.

"São mais uma extensão do ensino fundamental", diz McCowan. "E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade."

Para se ter a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.


Estudantes (Foto BBC)
Especialistas questionam qualidade de novas faculdades no Brasil


Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas.

De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos - de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. "E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda", prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.

Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.

"Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos", diz ela. "E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros."

 

Postura e experiência



A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.

"Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade", diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.

"Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor."

As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.

Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.

"Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra", diz Cuellar.

Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.

"Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado", acredita o consultor.

 

'Tradição bacharelesca'



Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a "geração do diploma" estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.

"É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários."
Gabriel Rico

De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais - como administração, direito ou pedagogia - enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.

"O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes", diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.

Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: "Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing", ele exemplifica. "Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas."

Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.

"É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários", diz o consultor.

Rafael Lucchesi concorda. "Temos uma tradição cultural bacharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).

Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil - mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.

"Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área", acredita.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Carta Capital - As eleições mais importantes de 2014

Nos EUA, Obama pode virar um "pato manco" no fim do ano. Na Índia, maior eleição do mundo deve ter 788 milhões de votantes

 
Por José Antonio Lima 
 
Rahul Gandhi
Rahul Gandhi, número dois o Congresso Nacional Indiano, deve ser o candidato do partido para o posto de premier da Índia

Depois de um ano em que Angela Merkel reafirmou seu poder na Alemanha e a eleição presidencial do Irã criou uma chance de pacificar uma das várias crises no Oriente Médio, outros pleitos podem afetar os rumos do mundo em 2014.
Três dos quatro países mais populosos do planeta vão às urnas neste ano. Na Índia, a corrupção deve ser o tema central da escolha do novo primeiro-ministro. Nos EUA, as eleições legislativas de meio de mandato vão acirrar ainda mais a rivalidade entre democratas e republicanos e afetar o mandato de Barack Obama. Na Indonésia, maior país muçulmano do mundo, um novo presidente tentará colocar a economia no rumo certo.
Na América Latina, a Colômbia vai se mostrar dividida entre o atual presidente, Juan Manuel Santos, e seu antecessor, Álvaro Uribe, enquanto no Uruguai José Mujica deve fazer seu sucessor. Na África, a Líbia tenta estabelecer as bases de uma inédita democracia em um país de maioria árabe, enquanto a África do Sul tenta consolidar seu regime democrático. Na União Europeia, o Parlamento Europeu terá uma nova configuração, que pode trazer à tona alguns dos lados mais horrendos do bloco.
Abaixo, os oito principais pleitos do ano. As eleições legislativas e presidenciais do Brasil não entram na lista pois são, obviamente, as mais importantes para o brasileiro.

1) Estados Unidos – eleição legislativa
Depois de um 2013 em que o Congresso dos Estados Unidos teve seu ano mais inoperante desde a década de 1940, 2014 deve ser ainda pior. Engajados em uma disputa ideológica com contornos quase existenciais, republicanos e democratas devem passar os próximos meses se digladiando acerca de temas controversos, como o controle do porte de armas e a reforma no sistema de imigração, sem chegar a um acordo a respeito deles.
 Isso porque nos próximos meses os parlamentares devem continuar a defender ideias radicais na tentativa de garantir os votos de seus eleitores para o pleito de novembro. As eleições, conhecidas como de meio de mandato, devem afetar duramente a administração Barack Obama, que depois disso terá ainda mais dois anos para completar seu mandato. Se depois de novembro o presidente democrata se deparar com um Congresso dominado por republicanos, será desde então um presidente “pato manco”, incapaz de realizar reformas que mudem os rumos do país.

2) União Europeia – eleição parlamentar
Entre 22 e 25 de maio os eleitores dos 22 países da União Europeia vão às urnas escolher os novos integrantes do Parlamento Europeu. Tradicionalmente, essas eleições costumam servir para os eleitores expressarem sua insatisfação com a UE, vista cada vez mais pelo eleitor comum como um antro de burocratas desconectados da realidade de um continente abalado pela crescente desigualdade social e por altos índices de desemprego.
Este contexto pode fazer com que candidatos extremistas (à esquerda e, principalmente, à direita) recebam muitos votos e ganhem palanque para divulgar suas ideias radicais. O possível radicalismo do Parlamento Europeu pode criar instabilidade, pois a partir deste ano o legislativo deve eleger o presidente da Comissão Europeia, cargo que em tese serve como o “Executivo” da UE. Ocorre que muitos governos nacionais, como o da Alemanha, exigem que a escolha seja aprovada por eles. Assim, um parlamento europeu radical poderia colocar a EU em pé-de-guerra com os governos nacionais e ampliar a desilusão dos eleitores com o projeto de integração.

3) Índia – eleição geral
A maior democracia do mundo, com cerca de 788 milhões de eleitores, vai às urnas no primeiro semestre de 2014, obrigatoriamente antes de 31 de maio. Manmohan Singh, primeiro-ministro desde 2004, anunciou em 3 de janeiro que não estará à frente de seu partido, o Congresso Nacional Indiano, nas eleições. Essa missão deve caber a Rahul Gandhi (sem relação com o líder pacifista Mahatma Gandhi), cuja família controla o partido há décadas e busca agora livrar a legenda da imagem de corrupta adquirida nos últimos anos.
O grande adversário do Congresso Nacional Indiano será o partido Bhartiya Janata, comandado pelo líder nacionalista Narendra Modi e que conseguiu importantes vitórias em recentes eleições regionais.
Outra força importante nas eleições deve ser o partido Aam Aadmi, liderado por Arvind Kejriwal e fundado sobre uma plataforma anticorrupção. Criado em 2012, o partido obteve o segundo lugar nas eleições de Nova Déli, a capital da Índia, resultado que catapultou a legenda para o cenário nacional.

4) Colômbia – eleição geral
Em março, os colombianos elegem um novo Congresso. Dois meses depois, voltam às urnas para o pleito presidencial. Juntas, as duas eleições devem institucionalizar a polarização política que configura o cenário colombiano nos últimos anos.
A estrela das eleições legislativas deve ser o ex-presidente Álvaro Uribe, linha-dura que se opõe ao acordo de paz com os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Uribe vai encabeçar a lista de senadores de seu partido e deve ser eleito com facilidade. No pleito presidencial, Juan Manual Santos, candidato da coalizão Unidade Nacional, buscará a reeleição e é o favorito. O candidato presidencial de Uribe deve ser o ex-ministro da Fazenda Óscar Iván Zuluaga, que por enquanto parece ter poucas chances.

5) África do Sul – eleições gerais
Em 2014, pela quinta vez desde o fim do regime segregacionista do Apartheid e pela primeira vez após a morte de Nelson Mandela, a África do Sul vai às urnas escolher um novo Parlamento e um novo presidente. O Congresso Nacional Africano, o partido de Mandela, é liderado pelo atual presidente do país, Jacob Zuma, um líder controverso que aposta na história do partido para superar as denúncias de corrupção e o aumento da desigualdade social para se reeleger.
O domínio do CNA sobre a política sul-africana, entretanto, não é mais uma certeza. O principal adversário do partido deve continuar a ser a Aliança Democrática, fundada a partir da luta dos brancos contra o Apartheid e liderada pela ex-prefeita da Cidade do Cabo Helen Zille. Ataques duros ao CNA devem partir do Guerreiros da Liberdade Econômica, sigla formada por Julius Malema, ex-líder da Juventude do CNA. Outros partidos fundados por ativistas anti-Apartheid, como o Agang e o África do Sul em Primeiro Lugar, podem surpreender e romper com o domínio do partido de Mandela.
A África do Sul é observada de perto pois apesar de todos os seus problemas é um raro bastião de democracia no continente africano.

6) Líbia - eleição constituinte
Em fevereiro, os líbios escolhem 60 representantes da Assembleia Constituinte, grupo que terá a missão de criar o documento base do país. A tarefa não será fácil, pois será preciso conciliar os interesses das três províncias que formam o país (Tripolitânia, Cirenaica e Fezan) além das diversas minorias líbias.
O trabalho constituinte será supervisionado pelo Congresso Nacional Geral, instância máxima política da Líbia, que em dezembro estendeu seu próprio mandato por mais um ano. A extensão foi necessária pois o Congresso interino não conseguiu cumprir sua escala de trabalho, que deveria terminar no começo de 2014 com o referendo constitucional e eleições legislativas. A expectativa de observadores da Líbia gira em torno da capacidade que o parlamento, dividido entre seculares e adeptos do islã político, terá para controlar o processo constituinte e a onda de violência iniciada por milícias armadas que atuaram na derrubada de Muammar Khadafi, em 2011.

7) Indonésia – eleição presidencial
Assim como o Brasil, a Indonésia tem uma plataforma de exportação baseada em commodities. O país, assim, se beneficiou tremendamente da alta dos preços de produtos como carvão, borracha e minerais após a crise iniciada em 2008. Com a queda das commodities nos últimos anos, uma infraestrutura atrasada e uma indústria fraca, a economia da Indonésia vem experimentando dificuldades recentemente.
É neste cenário que o país vai às urnas em julho para eleger o sucessor de Susilo Bambang Yudhoyono, atual presidente, que não pode mais se candidatar. O Partido Democrático, do atual presidente, não conseguiu formar um líder capaz de seguir seus passos e deve ter muitas dificuldades no pleito. Isso deve abrir espaço para o Partido Democrata da Indonésia-Luta, cuja provável candidato, Joko Widodo, aparece como um dos favoritos.
Além de ser uma importante economia emergente e ter a quarta maior população do mundo, a Indonésia é observada de perto pelos analistas pois é, ao lado da Turquia, um dos único países de maioria muçulmana onde vigora um regime democrático.

8) Uruguai – eleição geral
Eleito em 2009, José Mujica, o homem que vem redefinindo a esquerda latino-americana, não poderá concorrer a um novo cargo de presidente do Uruguai no pleito de outubro. Ainda assim, a Frente Ampla, sigla que em 2005 rompeu o domínio dos partidos Colorado e Nacional na política uruguaia deve continuar no governo. Segundo as pesquisas mais recentes, a FA lidera a corrida presidencial (superando 40% das intenções de voto) com qualquer um dos candidatos que apresente: a senadora Constanza Moreira ou o antecessor de Mujica, Tabaré Vázquez. A oposição, entretanto, conta com um desgaste de quase dez anos de governo da Frente Ampla e pode aproveitar o significativo número de indecisos (que chegam a 15%) para retomar o poder.