terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Câmbio e Política - Nicomex Notícias
O ano novo começou, no Brasil, com a preocupação do governo em segurar a valorização excessiva do real perante o dólar. Diante desse cenário, tem sido recorrente a ação das autoridades monetárias com o intuito de frear essa situação. No entanto, parece que o problema cambial em si não é a única face dessa questão. Há também o risco da volatilidade da cotação da moeda, que atrapalha decisões de investimento no país, por exemplo.
Tal risco está exposto em estatísticas de um levantamento da Consultoria Tendências, baseado em dados da Bloomberg. Nele, o Brasil aparece em quinto lugar em um ranking das economias com câmbio mais instável no último ano, dentro de um universo de 16 moedas listadas. O percentual de volatilidade do real está registrado em 13,83%, menor apenas que os dólares australiano, neozelandês e as coroas sueca e norueguesa.
A volatilidade é calculada com base nas cotações mínimas e máximas das moedas a cada mês, chegando a uma média ponderada no ano. “O que acontece é que a partir do momento em que o país optou por um sistema de câmbio flutuante as oscilações são normais. Contudo, nos últimos meses ocorreu um aumento do valor do real em comparação com outras moedas, sobretudo, o dólar estadunidense”, pondera o Analista Político e Professor do IBMEC/DF, Creomar Lima C. de Souza, em entrevista ao Nicomex Notícias.
Esse processo de aumento do valor da moeda nacional, entretanto, tem obviamente consequências que afetam outros âmbitos da vida econômica, bem como, aspectos políticos. Existem setores econômicos que são favorecidos e prejudicados pelo câmbio em sua atual configuração. E, de certa maneira, pode-se afirmar que os efeitos políticos dessa situação se refletem em dois aspectos, segundo Creomar. Primeiro, na mensuração dos ganhos e perdas feitos por cada setor e, em segundo lugar, pela forma como os ganhos ou prejuízos serão levados ao governo.
Atitude do governo
Dessa forma, o passo seguinte do problema são as ações das autoridades monetárias frente à questão da instabilidade cambial. De acordo com o especialista do IBMEC/DF, o governo não assumirá posturas isoladas que beneficiem um setor tendo em vista o grau de complexidade da economia nacional. Daí a opção por tomar medidas pontuais e não por colocar em prática um pacote mais encorpado para combater as flutuações da moeda nacional. “Em algum momento o governo construirá uma agenda de enfrentamento ao câmbio. Porém, me parece dificil afirmar neste momento se a mesma estará composta de uma ação simplificada ou de um conjunto de medidas com finalidade de dar uma nova configuração ao câmbio brasileiro”, projeta Creomar.
Por Matheus Franco
matheus.f@nicomexnoticias.com.br
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Concorrência Industrial Chinesa II - Globo News
Indústria nacional é prejudicada por
produtos chineses
Quase 70% dos exportadores nacionais já perderam clientes para concorrentes chineses no exterior.
Crescimento da Concorrência Industrial Chinesa - Jornal da Globo
Indústria brasileira perde espaço
no mercado para a China
A disputa é mais intensa em setores de materiais eletrônicos, calçados e têxteis. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, investir em qualidade e no design dos produtos é a estratégia usada pelos empresários brasileiros para competir .
Vladimir Netto
Os produtos chineses vêm atrapalhando os empresários brasileiros há anos, aqui e lá fora. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria mostra o tamanho do problema.
A CNI consultou 1.529 empresas. Quase a metade delas perdeu espaço no mercado interno para a China. E entre as que vendem para fora, 67% registraram perdas para os chineses.
Na China, a mão de obra é mais barata, a escala de produção é maior e a infraestrutura, melhor. Mas, o pior é o câmbio. O real está valorizado frente ao dólar e a cotação da moeda chinesa é controlada pelo governo.
“Isso faz com que os produtos de origem chinesa fiquem mais baratos que os produtos brasileiros industriais e com isso tanto mais difícil as empresas brasileiras concorrerem nos mercados internacionais, como nós observamos no crescimento das importações de origem chinesa no mercado brasileiro”, fala o diretor da CNI Flávio Castelo Branco.
A disputa é mais intensa em setores como o de materiais eletrônicos, calçados e têxteis. Que o diga o empresário Renato Bitter. A fábrica dele, que já chegou a vender 70% do que produzia para o exterior, hoje exporta só 20%.
“A única forma que nós encontramos de evitar a concorrência com os chineses foi investindo em maquinário e tecnologias que pudessem produzir tecidos com alto valor agregado, os quais eles dificilmente conseguem fazer”, diz o empresário.
De acordo com a CNI, investir em qualidade e no design dos produtos é a estratégia mais usada pelos empresários brasileiros para competir com a China. Os especialistas alertam que a disputa por mercados é uma briga que vai ficar cada vez mais difícil. A solução é se adaptar aos novos tempos.
“Nós não poderemos construir muros nos nossos portos e o único jeito efetivo de lidar com esse processo é se modernizando, investindo em inovação e, óbvio, exigindo políticas públicas que reduzam essa carta tributária que é absurda sobre a produção nacional”, explica o especialista em relações internacionais Creomar de Souza.
