terça-feira, 8 de março de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
O Egito, seu Povo e o Futuro - Publicado no Estado de Minas.
Respondendo esse questionamento pode-se afirmar que: o fim de Mubarak não é o fim do autoritarismo no Egito. Pois, elementos que sustentaram o regime por anos são os mesmos que agora se arvoram como defensores populares. Notadamente o Exército egípcio que se divorciou do antigo regime durante sua crise ainda não deu nenhum sinal do que fará com o poder. E enquanto esses sinais não forem claros no sentido de que as demandas populares serão atendidas a situação tenderá a crise.
De outro lado, é importante lembrar que não há uma liderança por trás dos protestos. E vale considerar que se durante as ações revolucionárias esse fato era uma vantagem, no momento das negociações que devem se processar a partir de agora tal carência certamente será um complicador. Nem mesmo figuras de envergadura global como Mohamed El Baradei conseguiram assumir um papel protagonista durante os protestos.
Cabe, portanto, refletir quem será o herdeiro político dos revolucionários da Praça Tahir. A identificação deste elemento de catalisação dos anseios populares será de fundamental importância para a compreensão de como o processo de transformação política será encaminhado, bem como, de quão profundas serão as transformações daí decorrentes.
Baseado em lições que a história lega, pode-se afirmar com alguma precisão que o futuro do Egito não será tão virtuoso quanto seu povo espera. Porém, é desejo de todos aqueles que primam pelo direito à liberdade que o mesmo não seja tão nebuloso quanto o legado que suas elites construíram até o presente momento.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Consequências econômicas da Crise Egípcia - Portal IG.
Brasil não deve ter perdas econômicas com crise no Egito
Impactos do curto prazo, como alta do petróleo e queda das exportações, não devem se estender por muito tempo, dizem especialistas
Os 18 dias de protestos populares no Egito – que culminaram com a renúncia do presidente Hosni Mubarak – não devem trazer perdas significativas para a economia brasileira, segundo especialistas ouvidos pelo iG. Embora a crise política tenha gerado impactos, principalmente nas exportações para o país e no preço do petróleo, as relações comerciais com os egípcios tendem a caminhar para a normalidade a partir de agora.
Para Creomar Lima de Carvalho Souza, especialista em economia internacional e professor de Relações Internacionais no Ibmec Brasília, os reflexos da crise no Egito dependerão dos contornos que a condução política tomará a partir de agora.
"O empresário brasileiro não vai querer correr o risco de enviar mercadorias sem ter a garantia de que vai receber", afirma Souza, do Ibmec Brasília. "Na primeira guerra do Golfo, quando o Iraque foi invadido, muitas empresas brasileiras que tinham negócios no Iraque nunca receberam os créditos pendentes com empresas locais e o governo iraquiano", exemplifica.
Segundo dados da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em 2010, o Brasil exportou US$ 1,96 bilhão em produtos para o Egito, um crescimento de 36% frente ao observado no ano anterior. Os principais produtos exportados foram carne, açúcar e minério de ferro.
Na outra ponta, o Brasil importou US$ 168,8 milhões do Egito no ano passado, um volume 92% maior que o registrado em 2009, com destaque para fertilizantes, petróleo e algodão, que lideraram a lista de produtos.