Mostrando postagens com marcador Petróleo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Petróleo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Folha de São Paulo - ANÁLISE Petrobras deve aliar respeito ao acionista e interesses do país.

Momento político é de uso de estatais como auxiliares na promoção do desenvolvimento


FICA PATENTE A INTERPRETAÇÃO DE QUE SE FAZ NECESSÁRIO SACRIFICAR PARTE DO LUCRO DA EMPRESA

CREOMAR CARVALHO DE SOUZA ESPECIAL PARA A FOLHA

Analistas financeiros têm comentado acerca da perda de valor de mercado da Petrobras.
Contudo, quais são os elementos que possivelmente levariam a essa perda de valor de uma companhia?
Outra pergunta que se coloca é: tendo em vista o caráter estatal da empresa, qual deve ser seu foco de geração de valor?
Na resposta dessas questões tentar-se-á expor elementos que expliquem os motivos que resultam no atual modelo de gestão da companhia e em como a relação com o governo traz vantagens e desvantagens para a empresa.
É importante ressaltar que o atual momento político é favorável à utilização de determinadas empresas nacionais como elementos de auxílio na busca do desenvolvimento nacional.
Isso significa dizer que a diretoria da empresa aqui analisada tem como orientação principal uma perspectiva política que não tem como foco as dinâmicas tradicionais de mercado.
Ou seja, a Petrobras, sendo considerada pelo governo como um instrumento de auxílio na busca pelo desenvolvimento, não necessariamente terá sua ação comercial voltada para o lucro como uma companhia de caráter privado no mesmo setor.
Exemplo dessa situação ocorre na atual conjuntura com a resistência apresentada pelo governo federal de permitir um reajuste no valor dos combustíveis. Mesmo que operacionalmente tal demanda seja necessária, fica patente a interpretação do Estado brasileiro -como acionista majoritário- de que se faz necessário sacrificar parte do lucro da empresa em favor de um objetivo maior que seria a contenção de alguma pressão inflacionária resultante de reajustes no preço dos derivados de petróleo.
Se a resultante política de tal medida é considerada positiva para parte considerável da população em termos de mercado, pode-se indicar dois problemas. O primeiro é a diminuição do lucro decorrente da não realização de reajustes nos preços; o segundo é a percepção, por alguns investidores, de que as regras de gestão da companhia atenderiam objetivos não mercadológicos. Ambos os aspectos trazem desconforto para aqueles que eventualmente possuam recursos aplicados na empresa.
Contudo, um grupo específico de indivíduos pode ter maiores prejuízos -os chamados pequenos investidores. Esses cidadãos colocam-se, portanto, entre dois dilemas. De um lado estão pressionados no dia a dia pelos reajustes dos combustíveis, como pessoas comuns. De outro, podem sofrer com a possibilidade de seu patrimônio individual ser diluído por uma perspectiva política que visa atender muitos sacrificando poucos.
Resumidamente, coloca-se como desafio ao governo e à companhia construir um modelo de inserção no mercado que use a Petrobras como um patrimônio a serviço de todos os brasileiros sem, contudo, prejudicar aqueles cidadãos que colocaram suas economias pessoais nos cofres da companhia.

CREOMAR LIMA CARVALHO DE SOUZA é professor de relações internacionais do Ibmec, mestre em relações internacionais e especialista em política externa dos EUA

sábado, 12 de março de 2011

CORREIO BRAZILIENSE - DF: Crise Ameaça o Bolso do Brasileiro

Crise ameaça o bolso do brasileiro
Rosana Hessel, Sílvio Ribas

Petrobras segura o preço da gasolina e do diesel, mas já repassa a alta do petróleo para o querosene de aviação e a nafta
Rosana Hessel
Sílvio Ribas
O mundo está assustado com a possibilidade da volta da retração econômica, caso a queda da produção de óleo na Líbia se torne uma realidade nos países com as maiores jazidas, como a Arábia Saudita
A disparada nas cotações internacionais do petróleo começa a pesar no orçamento dos brasileiros. Apesar de não mexer nos preços da gasolina e do diesel, que dependem de autorização do Palácio do Planalto para serem reajustados, a Petrobras já vem repassando o aumento do barril para uma série de derivados, principalmente o querosene de aviação e a nafta petroquímica, insumo básico para a produção de diversos produtos, sobretudo as embalagens plásticas. O querosene e a nafta são revistos, respectivamente, a cada 15 e 30 dias. A situação só agrava o processo inflacionário no país, obrigando o Banco Central a acelerar a alta nos juros básicos da economia (Selic).
Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que, desde a segunda metade de janeiro, quando estourou a crise no Egito, que se estendeu pela Líbia e vários países do mundo árabe, os preços do querosene de aviação acumulam alta de 7,16%, mais da metade da elevação acumulada em 12 meses: 11,99%. Segundo André Braz, economista da FGV, a tendência é de que o repasse se intensifique nos próximos meses, caso as turbulências engolfem de vez os maiores produtores de petróleo, como a Arábia Saudita, com reservas de 266,7 bilhões da barris. O resultado disso: passagens aéreas mais caras. No caso da nafta, conforme o mercado, o aumento médio ficou em 5% no mesmo período.
Segundo o vice-presidente para a América Latina da Delta Airlines, Nicolas Ferri, a apreensão é grande entre as companhias aéreas, pois o querosene de aviação representa um custo importante para o setor. “Estamos avaliando todos os cenários. O agravamento da crise será muito ruim”, afirmou. Na área petroquímica, há quem fale em reajuste de até 20% nos preços dos produtos a base de nafta. A grande pergunta é se a indústria e o comércio terão condições de repassar tal aumento aos consumidores finais. O problema, reclamam os empresários, é que o encarecimento dos derivados do petróleo veio a se somar a um encarecimento em série das commodities metálicas e agrícolas.
O Brasil é importador regular de querosene de aviação, produto cuja demanda vem crescendo rápido. Em 2010, as importações chegaram a 33 mil barris diários do produto. Quanto à nafta, as importações estão ao ritmo de 39 mil barris por dia. O país também poderá sentir altas nos preços de outros produtos que saem das refinarias, como o óleo combustível usado nas fábricas e pelos navios (bunker).
Ontem, depois de alcançar a máxima de US$ 119,79 em Londres, o barril tipo Brent encerrou o dia em US$ 111,36, com alta de 0,1%. Nos Estados Unidos, o dia foi de muita pressão, diante das tentativas do mercado de descobrir se outros países podem compensar a queda da produção líbia. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de West Texas Intermediate (WTI) para entrega em abril fechou a US$ 97,28, em baixa de 0,9%. Segundo Tom Bentz, do Banco BNP Paribas, o recuo se deu depois que a Arábia Saudita garantiu que suprirá a redução da produção da Líbia. Em julho de 2008, o valor do barril do Brent chegou a US$ 147, mas, no fim daquele ano, após a quebradeira de bancos e de várias economias, inclusive europeias, recuou para US$ 37.
Especulação
Vários operadores alertaram para os movimentos especulativos no mercado com o óleo. “Há muita distorção tanto no preço do petróleo quanto nos das commodities agrícolas. Tem muito investidor comprando contratos de petróleo só para aumentar a demanda e obter lucros no curto prazo”, alertou o economista da Prosper Corretora, Demetrius Borel Lucindo. Ele ressaltou ainda que, ao manter o preço da gasolina 4% abaixo do praticado no mercado externo, a Petrobras já acumula perdas superiores a R$ 200 milhões.
Para José Luís Oreiro, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), mantida a escalada do preços do petróleo, o risco de uma nova recessão global é grande. É que a inflação tenderá a subir, obrigando os bancos centrais a elevarem os juros, abortando a ainda frágil recuperação econômica dos Estados Unidos e da Europa. “O risco de uma nova recessão é considerável ainda neste começo de ano por, pelo menos, dois trimestres seguidos”, disse.
Na avaliação do diretor de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Thomaz Zanotto, é cedo para fazer estimativas. Mas os empresários estão atentos para a crise política, sobretudo na Líbia, grande fornecedora de petróleo para a Europa. “Se ela continuar, o risco de uma recessão acompanhada de inflação (estagflação) no mundo é muito grande, e isso seria o pior cenário possível”, destacou. (Colaborou Gustavo Henrique Braga)
Em Nova York, tensão em torno da cotação do barril afeta investidores
Pressão sobre BCs mundiais
Começam a ser divulgadas as primeiras estimativas de impacto da alta dos preços internacionais de petróleo na inflação, jogando a pressão dos reajustes nas taxas básicas de juros pelos bancos centrais. Segundo a consultoria Fathom, se o preço do barril tipo Brent estacionar em US$ 120, a taxa britânica de inflação ganharia 0,48 ponto percentual. Nos Estados Unidos e na Europa, o acréscimo seria respectivamente de 0,51 e 1,63 pontos. Mas, caso o patamar seja de US$ 150, o impacto iria ao dobro. Analistas internacionais veem um sério dilema para os governos dos países desenvolvidos: de um lado, a tentativa de evitar a disparada dos preços domésticos; do outro, a busca da retomada do crescimento.
Medo de uma nova recessão
Os mercados internacionais continuaram repercutindo ontem o medo de que os tumultos nos países árabes interrompam a incipiente retomada da economia global. As altas recordes nas cotações do petróleo ampliaram as incertezas, especialmente sobre Europa e Estados Unidos, altamente fragilizados por problemas fiscais e ameaças inflacionárias.
As principais bolsas do mundo registram o quarto dia de perdas. No Brasil, as ações ordinárias (com direito a voto) da Petrobras recuaram 1,82% e as preferenciais, 1,18%. A pressão foi reduzida no fim do pregão, deixando para trás os picos recordes desde agosto de 2008. Outras nações produtoras foram indicadas para compensar perdas de produção registradas na Líbia. Os investidores esperam resposta da Arábia Saudita, principal produtora na Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep). Os sauditas já conversam com refinadores europeus.
Para tentar administrar expectativas negativas, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que, até agora, apenas 750 mil barris diários – menos de 1% do consumo global – foram tirados do mercado em razão da crise. Um dia antes, porém, o próprio organismo afirmou que as altas do petróleo ameaçavam a recuperação de economias desenvolvidas e emergentes. A AIE tem 1,6 bilhão de barris de reservas petrolíferas de emergência à disposição para momentos de crise.
Cenário
A Casa Branca também reforçou a ponderação, anunciando ter capacidade para agir em caso de uma grande interrupção no abastecimento de petróleo provocada pelos confrontos no Oriente Médio. Os estoques de petróleo nos EUA subiram 822 mil barris semana passada, para 346,74 milhões de unidades.
Aliada à queda na oferta do produto, devido a uma perpetuação da suspensão da produção da Líbia, a alta nos preços poderá desencadear nova crise, analisou o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Helder Queiroz. Já para o analista político do Ibmec-DF Creomar Lima Carvalho de Souza uma crise econômica será provável se o petróleo continuar a subir. “A Líbia responde por 15% da demanda de petróleo da Europa. Se a energia ficar cara, a economia vai reagir mal”, avaliou. (RH e SR)
Kadafi faz ameaça
Importantes terminais petrolíferos da Líbia localizados a leste de Trípoli estão sob o controle de rebeldes contrários ao presidente Muamar Kadafi, disseram moradores de Benghazi que conseguiram fazer contato com pessoas na região. O ditador líbio disse que essa ocupação reduzirá a oferta de petróleo no mundo. Por ora, os volumes exportados pelo país permanecem próximos da normalidade.

quinta-feira, 3 de março de 2011

CORREIO BRAZILIENSE - DF: Dependência do petróleo põe mundo em alerta

A crise que tomou conta do mundo árabe e já apeou do poder ditadores e criminosos faz o mundo abrir os olhos para um problema que insiste em se manter no limbo: a grande dependência por petróleo, altamente poluente e cujas reservas estão concentradas no Norte da África e no Oriente Médio e são manipuladas pelo cartel representado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Em 1973, a economia global foi abalada pela guerra do Yom Kippur. Em 1979, o baque veio da Revolução Iraniana. Agora, bastou o corte na produção da Líbia, que responde por apenas 2% da oferta mundial, para que os preços do barril disparassem 14% em apenas uma semana, a maior alta para o período em dois anos. Resultado: os países ricos, sobretudo os da Europa e os Estados Unidos, que ainda mostram sinais frágeis de recuperação, voltaram a flertar com a recessão.

Apesar desse quadro tão sombrio, poucas foram as vozes que chamaram a atenção para a necessidade de se livrar da Opep e de se mudar, mais rapidamente, a matriz energética do planeta, optando-se por fontes limpas e renováveis. Dados da agência americana Energy Information Administration mostram que 56% da energia consumida no globo têm origem no petróleo (35%) e no carvão (21%). Menos poluente, o gás natural garante 21% do consumo. Já as fontes renováveis não passam de 8%. Para inverter esse quadro, pelas projeções da Agência Internacional de Energia (AIE), o mundo terá que investir aproximadamente US$ 10,5 trilhões até 2030.

Ou seja, não há mais como optar pelo silêncio. "É importante que esses temas, o da redução da dependência do petróleo e o da sua substituição por energia limpa e renovável, sejam retomados pelos governos e não mais abandonados", diz Creomar Lima Carvalho de Souza, professor de Relações Internacionais do Ibmec do Distrito Federal. Ele lembra que o mundo perdeu uma grande oportunidade para mudar a história, ao não avançar nas negociações para a redução das emissões de CO2 realizadas em Copenhague, no fim de 2009.

Naquele momento, em meio à recessão global, com o consumo e o preço do petróleo em baixa (depois de chegar a US$ 145 o barril, em junho de 2008), os países mais industrializados e, consequentemente, os maiores poluidores do planeta, estavam mais preocupados em sair da crise financeira na qual se meteram depois do estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos, do que investir pesado na busca de alternativas para os combustíveis de origem fóssil. "Os governantes têm esse comportamento previsível. Só pensam em alternativas em momentos de crise. No ambiente de bonança, optam pelo mais fácil e ficam mais suscetíveis a interesses (os da indústria petrolífera são enormes)", afirma Souza.

Mas não é só. Com grande necessidade de crescimento econômico, para reduzir a miséria histórica, os países emergentes, em especial a China e a Índia, não têm como, a curto prazo, abrir mão do carvão e do petróleo como fontes de abastecimento energético.

Na contramão
No Brasil, a necessidade de diversificação das fontes energéticas não é diferente, a despeito de a matriz nacional ser mais limpa do que a das nações desenvolvidas. Mas, na avaliação do pesquisador da área ambiental Albino Rodrigues Alvarez, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o país já está no limite da capacidade de exploração do potencial de energia hidrelétrica.

"Construir usinas como Belo Monte será cada vez mais inviável econômica e ambientalmente", afirma. Ele destaca que a participação dessas usinas na oferta de energia no Brasil tende a cair nos próximos anos. Os projetos em andamento, que devem entrar em operação até 2017, adicionarão mais 37,6 mil megawatts ao parque atual de 109 mil MW, no qual a participação das hidrelétricas é de 64,4%.

O temor dos especialistas é de que o Brasil caminhe na direção contrária, ao valorizar demais o uso do petróleo depois da descoberta das gigantescas reservas de óleo na camada do pré-sal. "O país precisa tomar cuidado para não sujar a sua matriz energética com o pré-sal", alerta Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a previsão é de investimentos de R$ 1,1 trilhão na produção e distribuição de energia entre 2011 e 2014. Petróleo e gás natural absorverão mais de 80% dos recursos: R$ 875,1 bilhões. Já para fontes alternativas de energia, como a eólica e a de biomassa, estão previstos desembolsos de apenas R$ 9,7 bilhões.

Atentado destrói refinaria no Iraque

A produção da maior refinaria de petróleo do Iraque foi interrompida ontem, depois de um atentado que causou importantes danos em uma de suas unidades, afirmou o vice-diretor do complexo petroleiro Baiji, Abdel Kader Sab. "Vários desconhecidos entraram no estabelecimento às 4h40 locais (22h30 de Brasília, na sexta-feira), mataram dois engenheiros e explodiram uma bomba na unidade norte, que fornece 25% da produção", afirmou. A refinaria de Baiji, situada a 200 km ao norte de Bagdá, produz 150 mil barris por dia, segundo o Ministério do Petróleo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mercado de petróleo no Brasil pode se beneficiar com crise no Oriente Médio.

21/02/2011
Redação - BandNews FM

A política conturbada no Norte de África e no Oriente Médio pode ser positiva para o mercado de petróleo no Brasil. Para o professor de Relações Internacionais do Ibmec Brasília, Creomar Lima Carvalho de Souza, a exploração no pré-sal brasileiro pode se tornar mais interessante com a crise nos principais produtores do mundo.

Nesta segunda-feira, a situação na Líbia fez com que o preço do barril de petróleo no mercado internacional chegasse a 104 dólares, a maior cotação desde setembro de 2008.

Creomar Lima Carvalho de Souza afirma que a estabilidade política do Brasil pode atrair investidores estrangeiros para explorar o pré-sal do país.



O professor de Relações Internacionais do Ibmec, afirma ainda que os atuais aumentos do preço do barril de petróleo são especulativos.

Mas, para Creomar Lima Carvalho de Souza é preciso ficar atento à situação política no Norte da África.





Creomar Lima Carvalho de Souza também descarta o aumento do preço da gasolina e outros derivados de petróleo no Brasil neste primeiro momento.

Mesmo assim, o professor admite a possibilidade de algum reajuste caso a crise se aprofunde no Norte da África e no Oriente Médio.