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domingo, 7 de agosto de 2011

Estadão - Artigo de Paul Krugman

A Standard & Poor's e o rebaixamento dos Estados Unidos

Paul Krugman - O Estado de S.Paulo

Pois é, a Standard & Poor"s fez o que ameaçava fazer: rebaixou o rating dos Estados Unidos. É uma situação estranha.

Por um lado, agora justifica-se a afirmação de que a loucura da direita tornou os Estados Unidos uma nação fundamentalmente doente. Porque, de fato, é a loucura da direita: se não fosse o radicalismo dos republicanos, sempre contrários a impostos, seria possível chegar, sem nenhum problema, a um acordo que garantiria a solvência a longo prazo.

Por outro lado, é difícil imaginar uma entidade menos qualificada para passar um julgamento sobre o nosso país do que as agências de rating. Então as pessoas que classificaram os títulos respaldados em empréstimos subprime agora se declaram os juízes da política fiscal? É mesmo? E, para a coisa ficar mais perfeita, ficou claro que a S&P errou nos cálculos em US$ 2 trilhões; depois de muitas discussões reconheceu - e rebaixou a classificação. Mais do que isso, tudo o que já ouvi sobre as exigências da S&P indica que a agência está falando absurdos a respeito da situação fiscal dos EUA. Ela sugeriu que o rebaixamento se deu por causa do montante da redução do déficit que havia sido negociada para a próxima década, e aparentemente acenou com o mágico número de US$ 4 trilhões.

Entretanto, a solvência dos EUA não depende do que acontece a curto e até mesmo a médio prazo: mais de U$ 1 trilhão de dívidas representa um aumento de apenas uma fração de um ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) aos custos dos juros futuros. Portanto, U$ 2 trilhões a mais ou a menos não têm grande significado a longo prazo. O que importa é a perspectiva a prazo mais longo, que, por sua vez, depende em grande parte dos custos da saúde.

Então, do que é que a S&P estava falando?

Supostamente, ela possuía alguma teoria segundo a qual a restrição agora é um indicador do futuro - mas não há nenhuma boa razão para se acreditar nesta teoria, e seguramente a S&P não tem nenhuma autoridade para fazer esse tipo de vago julgamento político.Em suma, a S&P fez uma asneira - e, depois da débâcle das hipotecas, não tem mais esse direito. É um escândalo - não porque os EUA estejam numa boa situação, mas porque estas pessoas não têm condições de julgar.

É COLUNISTA DO NEW YORK TIMES

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A COMPETITIVIDADE BRASILEIRA

Por Juliana Ribeiro Borges*

O Brasil está vivendo um período de oportunidades que poderá levá-lo a se tornar a 5ª. Economia mundial até 2020, a partir de um crescimento sustentado, por volta de 5% ao ano. Aliado ao fato dos países desenvolvidos ainda sofrerem as consequências da crise financeira de 2008, e com a inclusão de milhares de brasileiros à classe média, possibilita a criação de um mercado interno com enorme potencial de consumo. Enfim, um ciclo virtuoso que levará o Brasil a se tornar efetivamente um país desenvolvido e possivelmente, a 5ª economia mundial.
A crise financeira iniciada em 2008 atingiu principalmente os EUA e Europa, até então os motores do desenvolvimento mundial. Pela primeira vez, desde a quebra de 1929, uma crise atinge diretamente o centro financeiro e econômico do mundo. E com isso surgem novos pólos de desenvolvimento, fora dos denominados países desenvolvidos, deslocando o eixo dinâmico da economia mundial para novos atores.
Esses novos atores são os denominados BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), no qual aconteceu a incorporação de milhões de pessoas à classe média. Este processo permitiu a criação de um mercado interno pujante, demandando novos produtos e serviços. Especialmente na China, com uma população de mais de um bilhão de habitantes, criou-se uma classe média de cerca de 300 milhões de habitantes, com uma política industrial que prioriza o mercado externo. Faz da China o grande parque industrial do mundo, com produtos baratos e superávit comercial, que permite um acúmulo de reservas que a coloca no centro das discussões econômicas. Na última década a China cresceu a inacreditáveis taxas de 10% ao ano, em média.
O Brasil, pela primeira vez em sua história, tem a oportunidade de acompanhar esse crescimento mundial como um dos atores principais, em menor escala do que na China. Com taxas de crescimento em torno de 5% ao ano (bem acima da média das previsões para os países desenvolvidos). Após o sucesso no combate ao período inflacionário, com uma economia diversificada, uma democracia consolidada, instituições sólidas e independentes, um mercado de capitais moderno e atuante, dentre os BRIC o Brasil é o que melhor dispõe desse conjunto de fatores.
Além disso, o Brasil possui um setor agropecuário desenvolvido, com alta produtividade, utilizando-se das pesquisas da Embrapa. Ainda poderá incorporar milhões de hectares de terras não aproveitadas, elevando consideravelmente sua participação na produção de grãos e demais produtos agropecuários, tornando, efetivamente, o Brasil o celeiro do mundo. A demanda por alimentos só tende a aumentar, a incorporação de milhões de pessoas ao mercado consumidor, especialmente na China e Índia. Assim sendo, provocará o aumento da necessidade mundial por alimentos e o Brasil é o candidato natural a suprir essa demanda. Outro fator importante é o setor mineral, onde o Brasil possui enormes reservas, especialmente de minério de ferro, essencial para a indústria siderúrgica, atingindo excelentes preços com o aumento da demanda mundial, especialmente pelas siderúrgicas chinesas.
Somando-se a tudo isso, a descoberta do petróleo no mar territorial brasileiro, o pré-sal, vastas reservas de petróleo a 7.000 metros de profundidade no Oceano Atlântico. Possibilita o Brasil a se tornar um grande exportador de petróleo. Além dessa reserva natural, o impacto na exploração do petróleo em tais condições, pode desenvolver e agregar novas tecnologias necessárias para a extração do óleo em alto mar. Criando oportunidades para o setor industrial ligado à cadeia petrolífera, tornando-os parceiros nessa empreitada.
Neste contexto, o Brasil assumiu a responsabilidade de promover a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e das Olímpiadas de 2016. O Brasil poderá utilizar tais eventos como catalizadores de investimentos necessários na infraestrutura para melhorar condições efetivamente desfavoráveis das cidades brasileiras (aeroportos, mobilidade urbana, urbanização, saneamento, turismo etc.), além de servir como cartão de visitas do Brasil na sua entrada como país desenvolvido.
Portanto, o Brasil adquire um caráter de país visto pelo resto do mundo como uma terra de possibilidades. No entanto, para atingir essa previsão de 2020 será necessário resolver diversos gargalos que atrapalham a competividade brasileira comparada com outros países emergentes, especialmente a China.
Identifica-se abaixo alguns desses entraves que dificultam o Brasil de competir nos mesmos níveis de outras nações dos Brics, notadamente, a China.
Falta de infraestrutura na área de logística: o Brasil possui imensas deficiências no setor de logística, especialmente transporte, portos, aeroportos.
- transporte de cargas concentrado principalmente em rodovias, aumentando os custos do frete.
- sistema ferroviário ainda pequeno, basicamente no setor de minérios, exigindo sua expansão para o setor de grãos, e outras cargas que atualmente são levadas de caminhões, atrasando encomendas, aumentando os custos e prejudicando as já precárias estradas brasileiras com um trânsito intenso de caminhões.
- As grandes cargas, especialmente em grandes distâncias, deveriam ser transportadas por ferrovia ou hidrovia, podendo ser levada do local de origem até os sues portos ou seu destino final.
- O transporte de rodovia seria utilizado em distâncias pequenas e médias, para distribuição dos produtos em um âmbito.

Concorrência com os produtos Chineses. A China utiliza uma política agressiva de incentivo às exportações. Ao manter salários baixos, câmbio desvalorizado, criou condições de produzir diversos produtos com uma forte competitividade. Diversos setores industriais brasileiros foram prejudicados, como têxtil, calçados, brinquedos etc., muitas empresas quebraram, umas resolveram transferir sua produção para o nordeste brasileiro, diminuindo custos. Outras começaram a produzir na China. Como também, comprando matérias primas da China, como o setor Têxtil.

Todos esses nós podem, numa primeira análise, desestimular investimentos no Brasil, entretanto, para uma visão empreendedora, tais entraves indicam oportunidades de grandes ganhos, em um país com uma democracia consolidada, um mercador consumidor em franca expansão, a perspectiva de ganhos compensa as dificuldades, é nessas condições que a aposta deve ser feita. E é isso que leva grandes grupos nacionais e multinacionais a investirem no Brasil.




Presidente da Capital Consultoria Empresarial Júnior
Empresa Júnior do Ibmec-DF

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Infomoney - Elevação do juro na Europa aumentará crise fiscal, apontam estudiosos

Por: Natália Wagner Rodrigues

InfoMoney

SÃO PAULO – O BCE (Banco Central Europeu) elevou a taxa básica de juro, confirmando a expectativa do mercado, na tentativa de conter a inflação que vem castigando a economia do velho continente. Embora a medida busque ser coerente com um ponto de vista econômico teórico mias ortodoxo, há uma série de contrapartidas há considerar.

De acordo com Creomar Lima Carvalho de Souza, professor de Relações Internacionais do IBMEC/DF, a Europa perdeu a confiabilidade dos investidores, já que desde 2008 vem encontrando sérias dificuldades para superar a crise. A situação se agravou ainda mais com a crise fiscal que acometeu a região. Sendo assim, para o professor, a elevação dos juro pode acentuar ainda mais esse cenário preocupante.

Elevação era necessária
O BCE encerrou um ciclo de 23 meses sem alta dos juros. Para o professor de economia da FGV (Fundação Getulio Vargas), Evaldo Alves, a inflação bateu à porta da Europa – em março a alta dos preços superou o limite de 2% estipulado pelo BCE registrando 2,6% de inflação- e o aumento de preços ocasionado por um choque de commodities (alimentares e energéticas) não deixou outra alternativa. Essa foi a primeira elevação em quase dois anos.

Defendendo a mesma visão, o professor da economia da Trevisan, Alcides Leite, destaca que o BCE tentou postergar ao máximo a subida dos juros, até o ponto em que isso não era mais viável. “Eles esticaram ao máximo, agora não há mais saída porque a situação estava ficando preocupante”, destaca.

O próprio presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, já havia afirmado anteriormente que um aumento era possível, diante do choque de petróleo, mas garantiu que esse não será o início de um ciclo. Porém, essa solução para uma inflação de custos pode também trazer importantes efeitos negativos, a conhecida "faca de dois gumes".

Recuperação ameaçada
Ainda segundo Leite, a decisão do BCE pode conter a recuperação econômica na região. Alves explica que, pelo fato de alguns governos já terem um nível de endividamento acima do limite aceitável, a subida dos juros vai colocar mais pressão à situação fiscal europeia. “Na teoria é bonito, mas na prática a economia [da União Europeia] vai ficar ainda mais exposta à crise fiscal”, avalia Alves, que ressalta o aumento do custo da dívida do governo, decorrente da subida dos juros.

Segundo Creomar, esse decisão apenas “tapa o Sol com a peneira”, uma vez que o problema de alguns países europeus não é só uma questão de crédito. “O BCE terá que unir combate à inflação com crescimento econômico, o que é muito difícil”, afirma.

O problema vai além
O professor da Ibmec ressalta que por trás da crise fiscal e do alto endividamento de alguns países, há uma questão estrutural muito forte. As políticas públicas adotadas pelos países europeus não são mais sustentáveis.

Os Estados não podem mais sustentar o alto padrão de vida que deram aos seus cidadãos. A população europeia está envelhecida e a questão do endividamento deve pesar ainda mais porque não há competitividade econômica e não há grandes inovações que possam reanimar a economia, segundo Creomar. O professor da FGV explica que, como a população trabalha pouco e está acostumada com um alto padrão de vida, será difícil mudar essa mentalidade e conscientizar acerca da necessidade de aumentar a competitividade regional.

Alves ainda acrescenta que para a única saída para a Europa conseguir enfrentar esse aumento de juros, sem afundar mais na estagnação econômica, é o aumento da produtividade. Porém, o professor ressalta: “Não estamos nem ouvindo falar disso por lá”.

O fim da zona do euro?
Para André Perfeito, economista da Gradual, o fim da Zona do Euro é “impensável”. Ele explica que, mesmo que a situação de alguns países como Portugal, Irlanda e Grécia piorar, a Alemanha pode socorrê-los.

O professor Creomar também acredita que esse não deve ser o fim da zona do euro, mesmo porque o que é desvantagens para uns em um momento pode se converter em vantagens no futuro. Ele explica que Portugal, Grécia e Irlanda foram beneficiados pela expansão da Zona do Euro no passado, mas agora passam por uma crise, já que não, por estarem presos à moeda, não podem promover uma depreciação cambial para amenizar os efeitos da crise fiscal.

Creomar ainda ressalta que cada país terá que fazer sua parte para recuperar a Europa. “Todos [os países europeus] terão que se modernizar, ampliar seus parques industriais e achar o melhor nicho de mercado para reverter a situação, não é justo jogar tudo nas costas da Alemanha”, conclui. Além disso, cabe destacar que o euro funciona, além de elemento econômico, como um elemento de união cultural no continente, portanto um colapso teria efeitos ainda mais adversos.

Visão menos otimista tem o mega investidor, Warren Buffett. Ao avaliar um possível colapso da moeda comum, Buffett dá o seu veredito: "Não acho impensável"

quinta-feira, 3 de março de 2011

CORREIO BRAZILIENSE - DF: Dependência do petróleo põe mundo em alerta

A crise que tomou conta do mundo árabe e já apeou do poder ditadores e criminosos faz o mundo abrir os olhos para um problema que insiste em se manter no limbo: a grande dependência por petróleo, altamente poluente e cujas reservas estão concentradas no Norte da África e no Oriente Médio e são manipuladas pelo cartel representado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Em 1973, a economia global foi abalada pela guerra do Yom Kippur. Em 1979, o baque veio da Revolução Iraniana. Agora, bastou o corte na produção da Líbia, que responde por apenas 2% da oferta mundial, para que os preços do barril disparassem 14% em apenas uma semana, a maior alta para o período em dois anos. Resultado: os países ricos, sobretudo os da Europa e os Estados Unidos, que ainda mostram sinais frágeis de recuperação, voltaram a flertar com a recessão.

Apesar desse quadro tão sombrio, poucas foram as vozes que chamaram a atenção para a necessidade de se livrar da Opep e de se mudar, mais rapidamente, a matriz energética do planeta, optando-se por fontes limpas e renováveis. Dados da agência americana Energy Information Administration mostram que 56% da energia consumida no globo têm origem no petróleo (35%) e no carvão (21%). Menos poluente, o gás natural garante 21% do consumo. Já as fontes renováveis não passam de 8%. Para inverter esse quadro, pelas projeções da Agência Internacional de Energia (AIE), o mundo terá que investir aproximadamente US$ 10,5 trilhões até 2030.

Ou seja, não há mais como optar pelo silêncio. "É importante que esses temas, o da redução da dependência do petróleo e o da sua substituição por energia limpa e renovável, sejam retomados pelos governos e não mais abandonados", diz Creomar Lima Carvalho de Souza, professor de Relações Internacionais do Ibmec do Distrito Federal. Ele lembra que o mundo perdeu uma grande oportunidade para mudar a história, ao não avançar nas negociações para a redução das emissões de CO2 realizadas em Copenhague, no fim de 2009.

Naquele momento, em meio à recessão global, com o consumo e o preço do petróleo em baixa (depois de chegar a US$ 145 o barril, em junho de 2008), os países mais industrializados e, consequentemente, os maiores poluidores do planeta, estavam mais preocupados em sair da crise financeira na qual se meteram depois do estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos, do que investir pesado na busca de alternativas para os combustíveis de origem fóssil. "Os governantes têm esse comportamento previsível. Só pensam em alternativas em momentos de crise. No ambiente de bonança, optam pelo mais fácil e ficam mais suscetíveis a interesses (os da indústria petrolífera são enormes)", afirma Souza.

Mas não é só. Com grande necessidade de crescimento econômico, para reduzir a miséria histórica, os países emergentes, em especial a China e a Índia, não têm como, a curto prazo, abrir mão do carvão e do petróleo como fontes de abastecimento energético.

Na contramão
No Brasil, a necessidade de diversificação das fontes energéticas não é diferente, a despeito de a matriz nacional ser mais limpa do que a das nações desenvolvidas. Mas, na avaliação do pesquisador da área ambiental Albino Rodrigues Alvarez, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o país já está no limite da capacidade de exploração do potencial de energia hidrelétrica.

"Construir usinas como Belo Monte será cada vez mais inviável econômica e ambientalmente", afirma. Ele destaca que a participação dessas usinas na oferta de energia no Brasil tende a cair nos próximos anos. Os projetos em andamento, que devem entrar em operação até 2017, adicionarão mais 37,6 mil megawatts ao parque atual de 109 mil MW, no qual a participação das hidrelétricas é de 64,4%.

O temor dos especialistas é de que o Brasil caminhe na direção contrária, ao valorizar demais o uso do petróleo depois da descoberta das gigantescas reservas de óleo na camada do pré-sal. "O país precisa tomar cuidado para não sujar a sua matriz energética com o pré-sal", alerta Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a previsão é de investimentos de R$ 1,1 trilhão na produção e distribuição de energia entre 2011 e 2014. Petróleo e gás natural absorverão mais de 80% dos recursos: R$ 875,1 bilhões. Já para fontes alternativas de energia, como a eólica e a de biomassa, estão previstos desembolsos de apenas R$ 9,7 bilhões.

Atentado destrói refinaria no Iraque

A produção da maior refinaria de petróleo do Iraque foi interrompida ontem, depois de um atentado que causou importantes danos em uma de suas unidades, afirmou o vice-diretor do complexo petroleiro Baiji, Abdel Kader Sab. "Vários desconhecidos entraram no estabelecimento às 4h40 locais (22h30 de Brasília, na sexta-feira), mataram dois engenheiros e explodiram uma bomba na unidade norte, que fornece 25% da produção", afirmou. A refinaria de Baiji, situada a 200 km ao norte de Bagdá, produz 150 mil barris por dia, segundo o Ministério do Petróleo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Câmbio e Política - Nicomex Notícias


VOLATILIDADE DO REAL SE DESTACA EM RANKING MUNDIAL 31/01/11

O ano novo começou, no Brasil, com a preocupação do governo em segurar a valorização excessiva do real perante o dólar. Diante desse cenário, tem sido recorrente a ação das autoridades monetárias com o intuito de frear essa situação. No entanto, parece que o problema cambial em si não é a única face dessa questão. Há também o risco da volatilidade da cotação da moeda, que atrapalha decisões de investimento no país, por exemplo.

Tal risco está exposto em estatísticas de um levantamento da Consultoria Tendências, baseado em dados da Bloomberg. Nele, o Brasil aparece em quinto lugar em um ranking das economias com câmbio mais instável no último ano, dentro de um universo de 16 moedas listadas. O percentual de volatilidade do real está registrado em 13,83%, menor apenas que os dólares australiano, neozelandês e as coroas sueca e norueguesa.

A volatilidade é calculada com base nas cotações mínimas e máximas das moedas a cada mês, chegando a uma média ponderada no ano. “O que acontece é que a partir do momento em que o país optou por um sistema de câmbio flutuante as oscilações são normais. Contudo, nos últimos meses ocorreu um aumento do valor do real em comparação com outras moedas, sobretudo, o dólar estadunidense”, pondera o Analista Político e Professor do IBMEC/DF, Creomar Lima C. de Souza, em entrevista ao Nicomex Notícias.

Esse processo de aumento do valor da moeda nacional, entretanto, tem obviamente consequências que afetam outros âmbitos da vida econômica, bem como, aspectos políticos. Existem setores econômicos que são favorecidos e prejudicados pelo câmbio em sua atual configuração. E, de certa maneira, pode-se afirmar que os efeitos políticos dessa situação se refletem em dois aspectos, segundo Creomar. Primeiro, na mensuração dos ganhos e perdas feitos por cada setor e, em segundo lugar, pela forma como os ganhos ou prejuízos serão levados ao governo.

Atitude do governo

Dessa forma, o passo seguinte do problema são as ações das autoridades monetárias frente à questão da instabilidade cambial. De acordo com o especialista do IBMEC/DF, o governo não assumirá posturas isoladas que beneficiem um setor tendo em vista o grau de complexidade da economia nacional. Daí a opção por tomar medidas pontuais e não por colocar em prática um pacote mais encorpado para combater as flutuações da moeda nacional. “Em algum momento o governo construirá uma agenda de enfrentamento ao câmbio. Porém, me parece dificil afirmar neste momento se a mesma estará composta de uma ação simplificada ou de um conjunto de medidas com finalidade de dar uma nova configuração ao câmbio brasileiro”, projeta Creomar.

Por Matheus Franco
matheus.f@nicomexnoticias.com.br

domingo, 4 de julho de 2010

Aquisições brasileiras no exterior superam compras de múltis no Brasil

De janeiro a maio, as companhias nacionais investiram US$ 11,16 bilhões, enquanto os estrangeiros trouxeram US$ 10,68 bilhões para o País

Raquel Landim, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Na semana passada, a siderúrgica Gerdau comprou as ações que ainda não detinha na Ameristeel por US$ 1,6 bilhão. Quinze dias atrás, o frigorífico Marfrig levou a Keystone por US$ 1,26 bilhão. Esses são os dois lances mais recentes da retomada da internacionalização das empresas brasileiras. As multinacionais verde-amarelas estão aproveitando o real forte e as pechinchas oferecidas no pós-crise para ir às compras.

Os empresários brasileiros adquiriram mais concorrentes no exterior que os estrangeiros no País neste início de ano. De janeiro a maio, as companhias nacionais investiram US$ 11,16 bilhões em aquisições ou no aumento de sua participação em companhias das quais já eram sócias. O valor superou os US$ 10,68 bilhões que os estrangeiros trouxeram ao País para aquisições. Os Estados Unidos se tornaram o principal alvo e absorveram 40% dos investimentos (excluídos paraísos fiscais).

O cálculo exclui as transferências entre matrizes e filiais. O investimento direto é a soma da compra de participações no capital e de empréstimos inter-companhias. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima, "as aquisições não são um movimento tático, mas estratégico das empresas nacionais no exterior".

A única vez que os brasileiros compraram mais empresas no exterior que agora foi em 2006, quando a Vale adquiriu a canadense Inco por US$ 18 bilhões. A magnitude da transação distorce os dados, o que torna a virada atual inédita. Em 2004, os brasileiros investiram US$ 6,64 bilhões em aquisições no exterior.

Com exceção de 2006, o recorde foi em 2008, com US$ 13,9 bilhões - pouco acima do obtido em cinco meses deste ano. As aquisições no exterior demonstram a robustez das empresas brasileiras no pós-crise, mas são mais um fator de pressão nas contas externas do País, que devem terminar o ano com déficit de cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Oportunidade. Em fevereiro, a petroquímica Braskem comprou a divisão de polipropileno da americana Sunoco por US$ 350 milhões. "Entramos na crise com dinheiro em caixa. O que é crise para uns, é oportunidade para outros", diz o vice-presidente de relações institucionais e desenvolvimento sustentável da Braskem, Marcelo Lira.

Os objetivos da Braskem com a internacionalização são ganhar escala e ter acesso a matéria-prima. É por isso que a empresa prevê investir US$ 2,5 bilhões em um polo petroquímico no México até 2015. A Braskem já tem contrato de fornecimento de nafta com a Pemex. "As aquisições vão continuar, porque os planos são passar de oitava para quinta petroquímica do mundo até 2020", disse Lira.

Outra que aproveitou as oportunidades da crise foi a Votorantim, que adquiriu 21,3% da portuguesa Cimpor em janeiro, após feroz briga com os concorrentes Camargo Correa e CSN. Foi o último lance de um processo de ida para o exterior que começou em 2001. Com destaque para cimento e metais, a empresa está presente em 22 países.

Um conjunto de motivos impulsiona a internacionalização das empresas brasileiras. Segundo o gerente do projeto de internacionalização da Fundação Dom Cabral, Sherban Leonardo Cretoiu, as companhias estrangeiras perderam valor de mercado na crise. Além disso, a valorização do real aumentou o poder de compra dos brasileiros. Outro fator é a consolidação provocada pela crise, com o surgimento de grupos como Itaú Unibanco e Brasil Foods (Sadia e Perdigão) que vão buscar o exterior.

Oferta hostil

Para aproveitar as boas oportunidades, as empresas brasileiras estão mais agressivas. A fabricante de máquinas Romi fez uma oferta hostil pela americana Hardinger. O conselho da companhia americana resiste, mas os executivos da Romi estão fazendo uma peregrinação de conversas com os acionistas. Na primeira tentativa, tiveram 38% de adesão. Estenderam o prazo e já conseguiram, 48%. O presidente da Romi, Livaldo Aguiar dos Santos, explica que precisa de 66% para completar a aquisição. "Nossa oferta hoje é de US$ 10 por ação, mas estamos dispostos a conversar com o conselho da Hardinger." A Romi tem 90% de seu faturamento no Brasil. Com a Hardinger, cairia para 45%.

A internacionalização ganhou fôlego este ano, mas começou há bastante tempo. A Gerdau foi uma das pioneiras em 1980 e hoje obtém metade do faturamento no exterior. "Buscamos participação em mercados-chave, ampliando a atuação nas Américas e ocupando espaços na Europa e na Ásia", diz o diretor-presidente da empresa, André Gerdau Johannpeter. Em 2008, a Gerdau adquiriu uma fatia da mexicana Corso Controladora e aproveitou a crise para elevar sua participação na espanhola Sidenor.

Para os especialistas, 2009 foi apenas uma interrupção na tendência de internacionalização. Pesquisa da Fundação Dom Cabral com 41 companhias indicou que apenas uma não tem planos de expandir suas operações no exterior este ano.

sábado, 19 de junho de 2010

China anuncia política mais flexível no câmbio do yuan

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A China anunciou neste sábado que vai flexibilizar o yuan, informou o Banco Central neste sábado, indicando que está pronto para acabar com 23 meses de câmbio fixo que ficou sob intensa pressão mundial.

A decisão anunciada de surpresa indica que a apreciação será feita de forma gradual.

"Dada à recente situação econômica dos mercados nacional e internacional e do balanço de pagamentos chineses, o Banco Central da China decidiu avançar na reforma do regime de câmbio e aumentar a flexibilidade da taxa de câmbio", disse o Banco Central em comunicado postado no site.

No texto divulgado na internet de hoje, o regulador chinês utiliza a palavra oficial "renmimbi" (literalmente "moeda do povo") em lugar de yuan.

O BC chinês descartou uma valorização de uma só vez ou maior apreciação como muitos críticos esperavam, afirmando que "não havia base para grandes flutuações ou mudanças" na taxa de câmbio.

Entretanto, ficou claro que a China pretende com seu anúncio --publicado em inglês ao mesmo tempo que em chinês-- marcar o fim da rigidez de facto da cotação do iuan em relação do dólar, que tem sido defendida como uma "política especial" para proteger a economia da crise financeira global.

Ainda é preciso esperar se o anúncio será suficiente para apaziguar os críticos, especialmente os parlamentares norte-americanos, que dizem que uma moeda chinesa subvalorizada dá uma vantagem comercial injusta.

"A economia global está se recuperando gradualmente. A recuperação e a retomada da economia chinesa se tornou mais sólida com a estabilidade econômica reforçada", disse o BC chinês.

A declaração da autoridade monetária chinesa é muito diferente do tom das recentes expressões de membros do governo, que negaram mudanças na política cambial do yuan (moeda não conversível) e se opuseram às pressões internacionais dos países que consideram que Pequim a mantém artificialmente baixa para favorecer suas exportações.